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Descobertas na Netflix: Como Superar um Fora (Soltera Codiciada)

dezembro 09, 2018Cacau dos Santos

Foto: Netflix.

Como Superar um Fora (ou Soltera Codiciada que, em tradução livre, é Solteira Cobiçada), é uma daquelas comédias atuais repletas de referências pop + hispter + cosmopolita e que poderia muito bem se passar em uma New York da vida mas não! A coisa toda acontece em Lima (capital do Peru), e a protagonista da história não é a Carrie Bradshaw mas sim Maria Fé (Gisela Ponce de León), uma jovem publicitária que leva um pé na bunda de seu namorado de longas datas e à partir daí ela parte em busca daquele trocinho chamado autoconhecimento enquanto tenta esquecer o ex-boy nas noitadas com as amigas, nas curtidas dos Tinders e, de quebra, começa a escrever sobre suas experiências, dores e aprendizados num blog. Tudo bem clichê, ok, mas até que é bem apresentado dentro do cenário atual. Ou quase.

Cadê o povo peruano?
Foto: Divulgação.

Se você é do tipo que se revolta com a falta de atores negros nas novelas brasileiras então a primeira coisa que vai estranhar ao assistir a esse filme é a quantidade de gente branca que mais lembra americanos do que latinos. Começando pela própria protagonista que é ruiva de franjinha, pele tipo porcelana e ossos largos. Daí você fica "cadê a ancestralidade indígena?", que é o caso de 90% da população do país. Pois é, não rola. A que mais chega perto disso é a amiga de Fé, Carol (interpretada pela lindíssima Jelly Reátegui), pois os outros personagens mais parecem que saíram da tal New York de Carrie Bradshaw do que Made in Lima, Peru. E vai ter momentos em que você vai achar que  está assistindo a um filme espanhol e que a coisa toda se passa em Madrid, principalmente quando Matias, o tal boy lixo da parada, entra em cena com seu coque samurai e sua barba hipster.

"Te juro, gata, eu sou peruano!" | Foto: Netflix.

Mas não se engane, tudo é aqui do lado apesar das escolhas estéticas um pouco errôneas e do roteiro soar bem americanizado e fora da nossa realidade latina. Mas verdade seja dita, mesmo com esse deslize, o filme diverte, assim como muitas novelas brasileiras que pecam nesse mesmo aspecto.

Close na banheira
Foto: Netflix.

Quem acompanha esse blog sabe o quanto sou apaixonada por banheiras (tá aqui esse episódio de #LicordeCacau que entrega logo isso), sendo assim eu AMEI quando vi que essa era utilizada como "porto seguro" pela personagem. Em suas crises mais pesadas, lá estava ela dentro da banheira (fosse cheia ou vazia), chorando suas pitangas e extravasando tudo o que lhe fazia mal.

Foto: Netflix.

Detalhe para a crise de Natalia (Karina Jordán), a best de Fé, que quando cai numa bad, corre adivinhem pra onde? É claro, para dentro da banheira!

Escrever é preciso
Foto: Netflix.

Outro ponto semelhante a Sex & The City/Carrie Bradshaw é que Maria Fé compartilha em um blog tudo o que está vivenciando e acaba se tornando uma web celebridade e logo acaba virando referência para muitas outras mulheres de coração partido. Aliás, pra quem não sabe, o filme foi inspirado no já extinto blog Soltera Codiciada, de María José Osorio. Todos os domingos e anonimamente, María publicava uma lição que centenas de mulheres peruanas esperavam com antecipação. O blog virou livro em 2013 e agora, em 2018, ganhou essa adaptação para a Netflix. "Eu queria escrever o que eu gostaria de ler", confessou a escritora. Será que ela também gostou de ver o que havia escrito?

Fãs eternos de RBD, essa é pra vocês 👇
Christopher Uckermann também tá no elenco! Ele faz Santiago, amigo de vida e colega de trabalho de Maria Fé, e que a ajuda nesse processo difícil de superar o fora levado.

Foto: Netflix.

É um papel bem secundário, coadjuvante do coadjuvante. Cota hétero masculina pra ser mais sincera, mas vale a atuação (e ele tá gato, viu!).


Foto: divulgação.

Resumindo
Mesmo com esse combo de clichês já conhecidos das comédias, CSUF é um filme muito legal! Se você estiver passando pelo mesmo que Maria Fé, serve como alívio e ainda vai te dar umas boas dicas. Se já tiver passado por essa fase, vai te fazer rir e perceber que essa bad vibe acontece com todo(a)s, e te fazer perceber o quanto foi besta por sofrer por um Matias da vida! E se nunca passou por isso, guentaí que tua hora vai chegar! Mas, até lá, já vai saber o que fazer e como fazer.

Ou seja, o filme diverte de uma maneira inteligente, atual e mega descolada e é isso o que importa.

Merece quantas estrelinhas? ⭐⭐⭐

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