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Cacau dos Santos

Designer Web Designer Cool Hunter Mídias Sociais e nas horas vagas... Blogueira!

04 maio 2017

Licor de Cacau - 1ª Temporada - #11 - #SOMOSTODOSVALENTINA

  • maio 04, 2017
  • by
Imagem: Unsplash

(1) Sobre fundo preto surgem, em letras brancas, sucessivamente, as seguintes frases: 

AVISO: A história a seguir contém linguagem atípica, palavrões, termos em inglês, muitos pontos de exclamação e referências da cultura pop e, devido ao seu conteúdo, este pode causar crises de risos e nostalgia aos leitores. Todos os personagens e eventos - mesmo aqueles baseados em pessoas reais - são fictícios. Se por ventura você se identificar com algo que foi escrito ou com alguém citado, isso significa que a sua loucura se parece um pouco com a minha e aproveite esse momento de coincidência para me seguir no instagram: @thecacaudossantos

(2) As frases desaparecem em fade e surge título da série seguida da primeira cena

Nos episódios anteriores:
- QUE ISSO, GAROTO? FICOU MALUCO?!
- Eu gosto de você! Sempre gostei, desde criancinha! Desde que a gente estudava nessa porra dessa escola! Eu sei que isso é loucura, que você nunca sentiu o mesmo mas essa é a verdade, eu sempre fui afimzão de você e quando a gente se reencontrou anos depois eu vi nisso a oportunidade perfeita de tentar um lance. Para e pensa, vai que é pra gente ficar juntos? Vai que eu e você somos... eu e você?

- Pê... eu liguei porque... eu queria te dizer uma coisa....
- ...Que coisa?
- ...foi ontem a noite, depois do show do Chouri. A gente foi pra casa dele e... bom... a gente acabou se beijando.

- Então Camila, o quê conta de novo?
- Dra. Luíza, acho que estou prestes a ter relações sexuais com o meu melhor amigo de infância.

- Tina o que houve? Sua voz tá tão jurubel. Aconteceu alguma coisa?
- Aconteceu... eu fui hostilizada num restaurante.

- Eu sou uma vida e a minha vida não vai passar batida. Eu posso não andar, verdade, mas eu posso pensar, sentir, falar e estou aqui falando nesse momento que eu não vou mais deixar ninguém me rebaixar só por causa de um pré-julgamento e se você estiver vendo esse vídeo e se identificou com isso o que aconteceu comigo então quero que saiba que você também deve exigir ser respeitado pois você é uma vida como eu.

- E aí, o que achou? Ficou bom?
- ...ficou perfeito, Tina. Sério. Vou pra casa agora editar e assim que estiver pronto eu te mando por e-mail e você posta no YouTube.

O vídeo O DESABAFO DE UMA CADEIRANTE – EU SOU SIM UMA PESSOA NORMAL já tem 180 mil visualizações, 34 mil likes e 390 dislikes.

WHATSAPP
- Cacau de Deus, pra quem vc passou o meu telefone?
Para a namorada da Fabricia, a Mallu, pq?
- pq me ligaram agora do Extra perguntando se não poderia postar o meu vídeo no facebook deles.

FACEBOOK
Belmiro Fontes
Eu tbm estava lá nesse dia e vi tudo. O que a Cléo Maia falou é verdade, essa tal de Bárbara foi quem ofendeu a menina da cadeira de rodas e sua irmã só foi defende-la. Sem noção nenhuma esse texto #SomosTodosValentina

Mallu Diaz convidou você para o evento #SOMOSTODOSVALENTINA
Fabricia Xavier, Johnny Bandeira, Mallu Diaz, Antônio Carlos Ribeiro e outros 3 amigos confirmaram presença.

[Re] Assunto: Vaga design
Oi Cacau, tudo bem?
Conforme conversamos ontem eu gostei muito de você e do seu portfólio mas infelizmente a vaga foi preenchida por outro candidato. Mas vamos manter seu currículo arquivado no nosso banco de dados e aparecendo uma nova oportunidade, com certeza, vamos lhe chamar. Sucesso e até a próxima!

Att.:
Lipe Munhoz
Supervisor de Criação

Eu vou conseguir dar a volta por cima. Me aguardem!...



LICOR DE CACAU
EPISÓDIO 11 – #SOMOSTODOSVALENTINA
Escrito por: Cacau dos Santos

Música de cena:


Rio de Janeiro, bairro das Laranjeiras
20 de março de 2017
12h44 pm

Caixa de Entrada do meu e-mail
De: contato@ziriguindumcomunicacao.com.br
Para: oi@cacaudossantos.com

[Re] Assunto: Vaga Designer

Olá Cacau,
Recebemos o seu currículo referente a vaga de designer e gostamos muito do seu portfolio. Podemos marcar uma entrevista para essa quarta-feira, dia 22, às 11:00?

No aguardo.

Rogério Souza
Diretor de Arte - Ziriguindum Comunicação


OLHO PARA A CÂMERA E FALO:
Mais uma entrevista de emprego, dessa vez 1 (um) dia depois da manifestação a favor de Valentina. Sim, mais uma entrevista... AFF! Por incrível que pareça eu não estou nem um pouco animada com isso. Porra é sempre a mesma coisa, sempre o papinho de “pô, legal seu currículo mas qual a sua pretensão salarial? Porque procuramos alguém pica das galáxias mas que esteja disposto a trabalhar pra caralho e ganhar um salário meia-boa. Aaah sim, não é de carteira assinada não, tá. Mas em troca sabe o que você ganha? Experiência! Além de um atestado de ‘+ 1 brasileiro trouxa fudido’, e aí, te interessa essa proposta?”; sério, não sou obrigada... ou melhor, sou sim porque meu dinheiro já está acabando e se não conseguir nada até o final do mês então terei de entregar o apartamento e voltar a morar com a minha tia, ou debaixo da ponto... acho que a ponte é uma opção mais agradável... OK Camila, foco. FOCO!

Respondo ao e-mail do pessoal do Ziriguindum, confirmo minha presença na próxima quarta-feira dia 22 e seja lá o que Deus quiser! Confiante pero no mucho.

E-mail enviado, agora bora se concentrar em algo que, nesse momento, é mais importante: o ato contra o pessoal do Japa Long River Restaurante. Mô galera confirmou presença, incluindo o Chouri que me garantiu que vai aparecer lá a caráter... tô aqui pensando o que seria esse “a caráter”? Aí meu Deus, será que ele vai aparecer pelado?!... Não, o Chouri é louco mas não é doido, o máximo que deve fazer é ir com aquela máscara do V de Vingança que é o que muitos fazem em manifestações.


Enfim, amanhã será o grande dia e fico muito feliz por ver que minha amiga está recebendo todo o apoio necessário nesse momento, para o desespero da tal de Bárbara Mori, a vaca que a ofendeu. Ela tá com o cu na mão, não para de jogar uns shades nas redes sociais mas deixa que o quê é dela tá guardado!


Rio de Janeiro, Rio Comprido
21 de março de 2017
4h07 pm

Conforme o combinado, chego com 1 hora de antecedência para me encontrar com a Mallu + 2 colegas do seu trabalho do Jornal Extra que foram cobrir a manifestação + Fabricia + a tal de Cléo que foi a organizadora disso tudo + seu marido. O ponto de encontro foi o Subway da Rua Estrela e, dito e feito, às 16h geral estava lá.

- Cacau, aqui! – diz Mallu ao me ver entrado na lanchonete.

Aceno com a mão direita enquanto vou me aproximando do grupo. Cumprimento todos com um abraço e dois beijinhos na bochecha e quando chega a vez de Cléo, ela me é apresentada por Mallu.

- Cacau, essa é Mallu, ela esteva presente no restaurante e presenciou toda a confusão – explica.
- Pois é, eu vi tudo e fiquei indignada! Estava jantando com o meu marido quando ouvimos a tal de Bárbara ofender a Valentina. – explica Cléo - Ela foi grossa e arrogante demais. Não sabe o quanto fiquei mal com aquela cena mas ao ver o vídeo da Valentina no YouTube senti uma enorme necessidade de ajuda-la e cá estamos nós.
- Puxa Cléo, muito obrigada por isso, de verdade – digo.
- Que isso, eu que agradeço o apoio de vocês nesse momento. Aliás onde está a Valentina? Ela vem?
- Vem sim! Vai nos encontrar lá na porta do restaurante às 17h.
- Aaah que bom, não sabe o quanto estou empolgada para reencontrá-la!

Dadas as apresentações e após colocarmos o papo em dia, tiramos uma selfie e postamos no instagram com a #SOMOSTODOSVALENTINA, essa aliás já tem 43 publicações, a galera tá mesmo levando a coisa a sério! Foto tirada e postada, é hora de seguirmos para o Japa Long River que não fica muito longe dali.


4h38 pm
Chegamos no Japa Long River que fica na Rua do Bispo. Paramos do outro lado da rua mas bem em frente mesmo. Vamos espera mais algumas pessoas chegarem para, aí sim, nos posicionarmos na entrada do restaurante. Um garçom repara a nossa presença e nos olha com os olhos arregalados e corre para falar com uma mulher alta, de cabelos compridos loiros e que está atrás do caixa. Quando essa tal mulher nos vê ela fica nitidamente furiosa. Logo reconheço suas fuças das redes sociais, é a tal de Bárbara Mori, a vaca que ofendeu a Valentina. NÃO ME SEGURA! NÃO ME SEGURA QUE EU VOU LÁ AGORA DAR NA CARA DELA!


- Olha lá quem já nos viu, a meliante! – observa Cléo.
- É ela, gente? – pergunta Fabricia.
- É ela sim, a própria, a geradora da discórdia – confirma Mallu.
- Vamos tentar uma entrevista com ela agora ou vamos esperar o caldo engrossar? – pergunta um dos estagiários amigo de Mallu.
- Vamos esperar o caldo engrossar, só quero ver a reação dela ao ver a manifestação acontecendo.
- Aí gente, mas será que mais gente vai aparecer? – questiona Fabricia.

- TEMKI aparecer! POR FAVOR! – grito. É, TEMKI mesmo porque se isso flopar eu não vou aceitar, imaginem como a Tina vai se sentir? Péssima! Aaah não, pelo menos umas 50 cabeças precisam dar sinal de vida... by the way, cadê o Chouri? Olho para os lados e nada dele. Aaah se ele der bolo...

4h49 pm e uma galera que confirmou presença no facebook começa a chegar. UFA! Já somos umas 20 pessoas e isso é bem legal. E é aí que a vejo chegando com a sua família – Valentina. Linda, bela, próspera e toda de branco. Ao se aproximar do grupo é recebida com euforia e muitos gritos!
- AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- Aaah parem, por favor! Senão fico com vergonha! – diz ela levando as mãos ao rosto.
- Aí gente, não acredito que todos vocês estão aqui. Isso é tão lindo! – Diz Virginia já com os olhinhos cheios d´agua.
- Aaah não mulher, não vai chorar agora, vai?! Qual foi! – brinco lhe dando um abraço.
- Desculpa, ando muito sensível ultimamente.
- Já falei pra ela pra agir feito macho – diz Tina brincando. Muito bom vê-la assim, de bom humor de novo.

E eis que vejo Alice se aproximando, também toda vestida de branco (branco era a cor oficial e esqueceram de me falar, foi?). Que bom que ela veio, da última vez que nos vimos pessoalmente foi naquela fatídica noite do beijo no Chouri. Peço licença a Valentina e ando em direção a Alice e a recebo com um forte abraço.

- Que bom que você veio. Estou muito feliz por te ver, de verdade. – lhe digo ao pé do ouvido.
- Eu também estou muito feliz em te ver – responde ela correspondendo ao abraço.

E depois de alguns segundos nos soltamos e nos olhamos.
- E aí, como você está? – pergunto.
- Tô bem, e você? – ela pergunta.
- Tô indo, levando.
- Tá preocupada com a questão do emprego, não é mesmo?
- Tá tão na cara assim?
- Só um pouquinho. Mas não desanima, Cacau, já já você vai conseguir alguma coisa, acredita! – diz ela me segurando pelo ombro.
- Espero mesmo que já já consiga algo porque o foda não é nem continuar desempregada, o foda é ter de sair do aconchego do meu lar e ir para a casa da minha tia. Sério, morar de novo com ela não dá!
- Sabe que pode ficar na minha casa se precisar, não é mesmo?
- Eu sei Alice e sou grata por isso. Até a Valentina se ofereceu para me abrigar, de novo, mas não acho certo ficar na casa de alguém sem poder ajudar com as despesas. Manjo dos valor das coisas e hoje em dia, nesse país de Temer, tá tudo muito caro! Se já é complicado pra comprar as coisas pra você, imagina ainda ter de sustentar a coleguinha aqui? Se de fato todo o meu dinheiro reservar acabar antes de eu descolar outro emprego então o correto e mais seguro vai ser mesmo eu pegar meus panos de bunda e desaguar na casa da bruaca!
- Bom, a oferta foi feita mas vamos pensar que não será necessário você vai deixar o seu apê ;) – diz me mandando uma piscadela.
-  - e respondo sua piscada com um sorriso de Monalisa.
- Agora e o Pedro, teve notícias? Como ficaram as coisas depois do episódio lá com o Chouri?
- Iiih menina, não queira nem saber! Pedro ficou puto! OK que ele disse que não se importou com nada mas se importou com tudo, tanto que não fala mais direito comigo. Ou melhor, não fala mais nada, eu que puxo assunto com ele.
- Séééééério?!
- Super sério isso.
- Mas e aí, você vai ficar falando com ele nesse clima chato?
- Bom eu tô tentando apaziguar a situação, amolecer um pouco aquele coração de croquete até que ele perceba que esse maldito beijo não teve importância alguma pra mim porque não teve mesmo! Não quero perder o Pedro ainda mais por causa do Chouri mas te confesso que tá sendo difícil vencer essa batalha.
- E com o Chouri, como estão as coisas?
- Com ele tá tudo de boa, nos entendemos e é vida que segue.
- Que bom, pelo menos isso.
- Pelo menos isso!

Alice então vai falar com Valentina e se junta ao grupo de manifestantes e quando dá 6h em ponto todos nós atravessamos a rua e enfim nos posicionamos quase que na porta do restaurante. A vaca louca, ao nos ver tão próximos, fica nitidamente puta e percebo que ela até cogita em sair e vir nos confrontar mas desiste e volta para atrás do caixa. Eis que Duda começa a gritar:
- VOCÊ SABE MUITO BEM PORQUE NÓS ESTAMOS AQUI FAZENDO ISSO! É POR CAUSA DO QUE VOCÊ FEZ A VALENTINA!
- ÉÉÉÉÉÉ!!!!!!!!!!!!!!!!!!! – todos concordam ao berros.
- E O QUÊ VOCÊ FEZ COM ELA FOI SAGANAGEM!
- ÉÉÉÉÉÉ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! – todos concordam ao berros, de novo.
- FOI UMA FALTA DE RESPEITO E ISSO NÃO VAI PASSAR BATIDO!
- ÉÉÉÉÉÉ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- SOMOS TODOS VALENTINA!
- ÉÉÉÉÉÉ!!!!!!!!!!!!!!! SOMOS TODOS VALENTINA!!!!!!!!!!!!!!! SOMOS TODOS VALENTINA!!!!!!!!!!!!!!! SOMOS TODOS VALENTINA!!!!!!!!!!!!!!! SOMOS TODOS VALENTINA!!!!!!!!!!!!!!!

O pessoal do bar da esquina + o pessoal da drogaria que fica ao lado + quem tava passando na hora pararam para nos assistir. Pronto, já temos uma plateia e já conseguimos chamar a atenção. Os poucos gatos pingados que estavam dentro do restaurante não estão entendo nada e a tal de Bárbara fica mais vermelha que um pimentão de tanta raiva!

Alice tira o celular do bolso, joga o cabelão para o lado e começa a filmar:
- Oi galerinha do Snap! Eu tô aqui na porta do Japa Long River Restaurante participando da manifestação #SOMOSTODOSVALENTINA e deem só uma olhada em como tá cheio. ADOOOOORO!

Num guento com a Alice, não perde uma oportunidade de ser blogueira, e só ela mesmo pra usar Snapchat quando tá todo mundo no Story do Instagram!

- Cacau, olha pra cá, migah! Manda um “oi”! – pede ela

E meio sem graça me viro e dou um “oizinho” discreto.

- Ela não é demais? Foi a Cacau quem filmou e editou o vídeo da Valentina – explica – Cacau amor, vem aqui, fala mais sobre como foi essa experiência e manda um recado para os meus seguidores no Snapchat.
- ... Aaaaah... #SOMOSTODOSVALENTINA! – só consigo dizer isso, enquanto levanto o braço direito em sinal de luta.
- Isso aí, #SOMOSTODOSVALENTINA! Não deixem de usar essa hashtag e quem quiser pode me seguir lá no insta também, é @alice_inthewonderland_rj! Já já estarei postando umas fotos e uns vídeos baphos. Fiquem ligados porque hoje nós vamos fazer história! Beijo, mores!

Como eu disse, blogueira. Mas curto isso nela, é único.


6h42 pm
A galera continua ali, aos berros, e a vaca loira continua lá dentro, se mostrando indiferente a tudo ou tentando parecer indiferente a tudo e eis que o vejo se aproximando pelas ruas do Rio Comprido, com uma guitarra nas costas e uma máscara na mão. Com aquele cabelo descolorido marcante, usando um macacão vermelho, com a expressão de marrento mas um marrento fofo – CHOURI! Não resisto e corro em sua direção e o recebo com um mega abraço.
- Você veio! – digo me jogando em seus braços.
- Claro que vim, eu disse que ia vir, não disse – diz ele me segurando.

Aí caramba, que abraço bom... foco Cacau, FOCO!

Abraço dado, eu o solto e paro em sua frente. O olho de cima a baixo, de baixo a cima e começo a questionar o seu visual:
- Que isso? Veio de bombeiro?
- Não cara! Nada a ver! Vim de Coma Doof!
- VEIO DE QUÊ?!
- Coma Doof! “Mad Max – Estrada da Fúria”, nunca viu?
- Tá mas... aaah peraê... tá se referindo ao cara da guitarra que solta fogo?
- Isso! Esse aí! Olha...

Eis que Chouri gira a guitarra e a posiciona sob seu peito e depois coloca a máscara que segurava e não é que ele fica as fuças desse tal de Coma Doof!


- E aí, o que achou? – pergunta ele.  
-... Ficou... I-RA-DO! – e ficou mesmo.

- Ótimo! Bora botar pra foder.

E ele me puxa pela mão e me leva até a porta do restaurante. Geral ainda está gritando “SOMOS TODOS VALENTINA” quando Chouri se posiciona bem na entrada do Japa Long River, despertando, ainda mais, a curiosidade de quem passava e até mesmo dos manifestantes que não entenderam muito bem a sua proposta.

Ele tranquilamente liga a guitarra no amplificador portátil que está agarrado em cintura e manda o recado para a tal de Bárbara Mori:
- TOMA ESSA, PIRANHA!

E começa a tocar o mesmo som pesado que Coma Doof toca em MAD MAX:


Não preciso nem dizer que a galera foi a loucura com aquilo tudo e começaram a gritar mais alto ainda. Parecia um show do Slipknot no Rock in Rio só que na rua! Mas… gente!

E o Chouri toca com uma fúria, com um tesão... OK que eu já o tinha visto tocar antes mas não assim, nessa intensidade... AAAH MEU DEUS, os estagiários do Extra + uns caras estão fazendo rodinha?!


Muita gente começa a filmar aquele pocket show, Alice principalmente:
- Galera do Snap olhem isso, olha só o que tá acontecendo nesse momento, show de rock pesado, cara! Sente a vibe! YEAH! – diz ela enquanto filma pela câmera frontal – Cacau olha pra cá!
- Não consigo – respondo.
- Por que não consegue?
- Porque estou hipnotizada.
- HAHAHAHAHA! RI ALTO!

E estou mesmo hipnotizada, que magnetismo animal é esse que esse sujeito tá transmitindo nesse momento?! Daí me lembro do que Alice me disse no show do DEMODES KILLERS que assistimos juntas: Chouri, em cima de um palco, fica gostosinho.

Agora eu vou fazer uma pequena correção nessa observação: Chouri, quando toca, seja em cima ou fora de um palco, fica gostosinho... OK, FOCO CACAU, FOCO! VOLTE PARA O SEU CORPO E PARA A MANIFESTAÇÃO!

Quando ele termina de tocar a galera vai à loucura! Chegam a levantá-lo! Ele então aponta para Valentina e grita:
- Essa foi pra você, mulher!

E ela não se cabe de vergonha! Se pudesse cavar um buraco no chão e se esconder lá dentro, ela assim o faria. Me aproximo de Tina e pergunto o que ela achou daquilo tudo. Na lata Tina me responde:
- O quê eu achei? O QUÊ EU ACHEI?! Achei que se você não transar com ele eu transo! E FALO SÉRIO!
- TINA! – exclamo o mais alto que posso.
- Quê?
- Tá louca, criatura?!
- Louca tá você que ainda não deu pra ele.

E olhamos as duas, ao mesmo tempo, para Chouri que nos envia o sorriso mais meigo e cheio de dentes EVER. Puta que pariu, PPK piscou aqui... FOCO CACAU!


8h23 pm
Por fim, depois de todo aquele barulho que estávamos fazendo, que incluía até show exclusivo de hard rock, a tal de Bárbara Mori não vê outra alternativa a não ser ir falar conosco. Ela sai de dentro do restaurante, para na frente de Valentina e Virginia e pede 1 minuto de silêncio. Geral se cala.

Bárbara respira bem fundo, junta as mãos e solta:
- Eu... lamento profundamente por tudo o que aconteceu...

Silêncio total por alguns segundos. Ela olha bem nos olhos de Valentina, depois nos de Virginia, depois os desvia e olha fixo para o nada.

- Eu cometi um terrível erro ao ofender a sua condição física e a coisa tomou uma dimensão inacreditavelmente catastrófica e de consequências brutas e inimagináveis.
- FALA LINGUA DE GENTE, Ô! – grita alguém no meio do povão.
- O QUÊ EU TÔ TENTANDO DIZER É QUE... eu errei... admito... errei... e peço desculpas a todos os envolvidos. Isso não vai mais se repetir.
- Não vai mesmo porque não vamos deixar! – diz Virginia.
- É!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! – e geral apoia.
- AFF! – e ela revira os olhos – Enfim eu já disse o que tinha para dizer, eu errei e lamento muito por isso e já estamos trabalhando para a melhoria do estabelecimento e, em breve, ele será acessível a todas as pessoas. Haverá uma rampa de acesso, os banheiros também serão adaptados e Valentina e sua família poderão vir aqui a hora que quiserem e ainda terão passe livre vitalício. Espero que nossos problemas tenham sido resolvidos e que possamos esquecer o que aconteceu e seguir em frente, em paz e sem ressentimentos.
- “Seguir em frente, em paz e sem ressentimentos”? Dona, a senhora tá me tirando! Só pode! – afirma Valentina – Nem arrependida de verdade você está, só está dizendo essa meia dúzia de palavras ensaiadas porque não está suportando todo o barulho que estamos fazendo na porta do seu estabelecimento.
- É, e também porque levamos isso à impressa. Aposto que se a minha irmã não tivesse feito nenhum vídeo você não sentiria nem um pingo de remorso! – afirma Virginia.
- É!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! – e todos concordam de novo.
- Você não tá nem aí pra nada, não liga. É falsa e insensível! – grita Duda.
- É!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! – geral apoia mais uma vez.

A tal de Bárbara respira fundo novamente e manda seu último recado, mas isso sem olhar na cara de ninguém:
- Como eu disse eu estou arrependida do que fiz e as devidas melhorias serão feitas no restaurante. Agora eu peço a todos que acabem esse circo e vão embora e vamos esquecer o que houve. Obrigada.

E seca, ela dá as costas e volta para dentro do Japa Long River sob uma chuva de vaias.

- NÓS VAMOS MANTER O PROCESSO CONTRA VOCÊ, SUA SAFADA! – grita Virginia.
- Cara você viu isso? Viu só isso?! QUE PUTA! – digo a Chouri.
- Na moral, essa aí merece ir parar no meio da centopeia humana. – afirma ele.


9h07 pm
Já falamos o que tínhamos pra falar, já fizemos todo o barulho necessário, já passamos o recado, agora é hora de irmos embora. Geral começa a se despedir, Mallu e os estagiários avisam que conseguiram o material suficiente para uma matéria digna de primeira capa (eba!) e Alice encerra sua transmissão ao vivo no insta. Seus seguidores satisfeitos agradecem.

- Beijo Cacau, se cuida e até a próxima e não desanima, garota, você vai conseguir um emprego! – diz Alice me dando o último abraço do dia.
- Valeu Alice!

E assim que ela vai embora eis que Chouri se aproxima de mim e faz uma proposta:
- Hey, tá afim de dar um esticada no bar do meu velho para beber alguma coisa e comemorar o sucesso da manifestação?

Me viro, olho para ele com um ar curioso e pergunto:
- No bar do seu velho?
- É! Ele vai adorar te rever depois de tanto tempo.

Penso “E por quê não? Bora!”. O correto era eu chamar o pessoal pra ir junto ou, pelo menos, a Mallu e os estagiários mas por alguma razão a qual eu não sei (ou não quero) explicar eu não faço isso. Apenas me despeço de todos e aviso que vou embora com o Chouri. Só ouço aqueles “Uuuuuuh” em seguida.
- Querem parar! Nada a ver!

Bom tudo a ver. A verdade é que não queria que ninguém nos acompanhasse dessa vez. Queria ficar sozinha com o Chouri. Nos despedimos da patota e pegamos o 133 na Rua Estrela. Não falamos muito durante da viagem, só curtimos a vista por assim dizer. Quase 30 minutos depois já chegamos no nosso destino, o Largo do Machado, e vamos andando até a Rua Bento Lisboa onde fica o bar do pai dele.
- Eu não acredito que o seu pai abriu um bar aqui tão próximo da minha casa! – digo a ele.
- Te disse, estávamos perto esse tempo todo e não sabíamos. – afirma.
- Não é, que loucura!


9h36 pm
Ao chegarmos no bar fomos recebidos com todo o carinho do mundo pelo Seu Vicente, pai do Chouri, que ao me ver me reconhece na hora! Como assim? Já faz anos que não me via!
- Claro que me lembro dela, é a Camilinha, sobrinha da Tia. Veja só como cresceu! Está uma moça! Me lembro de vocês dois ainda pequeninos, brincando no pátio do Miraflores – diz ele com aquele sotaque legitimo de Portugal.
- E eu me lembro que o senhor sempre comprava algodão doce e chiclete Ploc pra gente na saída do colégio! – afirmo.
- Isso mesmo! Tú sempres pedia algodão doce rosa e o Antônio algodão doce verde.


Gente que delícia foi recordar esses momentos e que gostoso foi parar ali, beber uma gelada com o Chouri e o pai dele (e por conta da casa, nem queria!). Conversamos sobre tudo o que vocês podem imaginar, de política passando por programas de tv, economia e até sobre filhos!
- Eu não vejo a hora de ser pai. Serião, tô louco pra ter um filho. – diz Chouri enquanto toma um gole de sua cerveja.
- Sério Chouri? Você quer ser pai?
- Claro que quero! Imagina um Chouriçozinho correndo por esse bar, fazendo a maior bagunça, meu pai vai pirar!
- Eu vou é pegá-lo pelo cangote! – afirma o pai de Chouri.

Caímos na gargalhada! Foi mesmo um final de noite maravilhoso. Tanto que nem vimos a hora passar. De repente já eram 11:00 pm. Preciso ir.

Peço um Uber e o divido com o Chouri. Salto primeiro, no meu condomínio. Me despeço dele com um beijo naquela bochecha gorda e sigo para o meu apartamento enquanto ele segue para a sua casa. E ao entrar no meu apartamento me sinto tão bem e tão feliz da vida, com aquela sensação de dever cumprido com maestria! Apoiei a minha amiga e nossos amigos demonstraram todo o seu amor por Valentina, a nossa manifestação teve o efeito desejado e ainda vai render bons frutos... tô feliz! Tão feliz que decido mandar uma mensagem para Pedro. Quero compartilhar dessa sensação com ele:

11h33
WHATSAPP
EU: Oi Pê!

11h40 pm
PEDRO: Oi

Seco como sempre, mas vamos lá:
EU: Adivinha? A manifestação foi um sucesso!

11h47 pm
PEDRO: Que bom
EU: Viu as fotos que te mandei?

11h56 pm
PEDRO: Vi
Eu: Viu como estava cheio lá? Foi muito mais gente do que o esperado!

11h59 pm
PEDRO: Legal
EU: A dona do restaurante ficou fula mas se redimiu, ou fez que se redimiu só pq nós estávamos lá fazendo aquela baderna toda! HAHAHA, se f#d&u! Mas o bom é que ela vai mudar toda a estrutura do lugar, garantiu maio acessibilidade e ainda vai pagar uma multa por danos morais a Valentina! :D

12h03 am
PEDRO: Que bom

Gente um pouco de água aqui pra hidratar a alma seca desse ser, por favor! Tá cada vez mais difícil conversar com ele assim! Tento não explodir mas já venho aguentando essa rispidez do Pedro a semanas e pra mim deu! SOLTO O RAJADÃO DA REVOLTA:
EU: Pedro qual foi? Vai ficar nessa pra sempre?!
PEDRO: Nessa o quê? Como assim?
EU: Vai ficar me destratando desse jeito até quando?
PEDRO: Não estou te destratando
EU: Tá sim! Desde o dia em que te contei que o Chouri me beijou que vc tá assim, todo estúpido comigo!!!! EU JÁ DISSE QUE NÃO FOI NADA DEMAIS E ELE ME PEDIU DESCULPAS!!!!! E EU TE PEDI DESCULPAS APESAR DISSO NÃO SER NECESSÁRIO POIS EU NÃO FIZ NADA DE ERRADO MAS MESMO ASSIM EU PEDI! CUSTA VC ACEITAR ISSO DE BOA?
PEDRO: Não sei do que vc está falando
EU: SABE SIM PEDRO, SABE SIM!!! (É, tô com tanta raiva que estou escrevendo tudo em caixa alta afim de “gritar” com ele) PEDRO: Não, não sei
EU: PEDRO POR FAVOR, PARA! SE VC FICOU CHATEADO COM O Q ACONTECEU EU SUPER TE ENTENDO MAS PARA DE AGIR DESSA FORMA! EU JÁ TE PEDI DESCULPAS E TE PEÇO DESCULPAS DE NOVO SE FOR NECESSÁRIO MAS POR FAVOR NÃO ME TRATE DESSE JEITO!!!
PEDRO: De que jeito vc se refere?
EU: Esse jeito, Pê! Esse jeito frio, distante e estúpido!
PEDRO: Camila vc está equivocada e está ficando tarde. Vou dormir.
EU: OK, então antes de ir dormir só me responde uma coisa, vc não tá mesmo puto comigo?
PEDRO: Não, não estou, já disse
EU: Nem com o Chouri ou com o que houve?
PEDRO: Também não
EU: E o que houve não te atingiu em nada?

12h12 am
PEDRO: Não, não me atingiu em nada

Demorou para responder mas respondeu.

12h13 am
EU: Então vc não ficou magoado?
PEDRO: Não estou puto, não me atingiu em nada e não estou magoado. Mais alguma pergunta?
EU: Vc não se importa com isso, Pedro?

12h15 am
PEDRO: Não, não me importo

E uma lágrima correu do fundo dos meus olhos.

12h16 am
EU: OK então. Não vou mais te incomodar com esse assunto.
PEDRO: Ótimo
EU: Ótimo! Boa noite e passar bem.
PEDRO: Boa noite

Música de cena:


Fecho o whatsapp, desligo o celular, o coloco no bolso da calça, pego minha bolsa que estava jogada em cima do sofá, saio, desço as escadas do prédio e vou andando por toda Rua das Laranjeiras até chegar na Rua Almirante Salgado onde subo toda aquela ladeira até chegar no final dela. Olho para o portão azul e toco o interfone do apartamento do Chouri e quem atende é Davi:
- Pois não?
- Davi sou eu, Cacau. Me deixa entrar - falo direto e num fôlego só.

E Davi abre o portão na hora. Entro como um raio e vou em direção ao apartamento dos meninos, dou três batidas na porta e Davi me recebe meio que assustado:
- Oi Cacau, tá tudo bem?
- Tá, tá tudo bem sim – respondo ofegante, afinal fui a pé da minha casa até a casa deles e subir essa ladeira cansa, viu!
- O que faz aqui a essa hora?
- Eu preciso falar com o Chouri, ele ainda tá acordado? Se bem que se não estiver eu vou acordá-lo assim mesmo – respondo levando as mãos até o joelho e tentando controlar a respiração.
- Acho que ele ainda está acordado, sim. Pode ir lá no quarto dele pra ver. Cê sabe né? Fica no final do corredor.
- Sei sim, valeu!

Respiro fundo e vou em direção ao quarto de Chouri. Passo em frente ao quarto de Felipe, que está com a porta aberta, deitado em sua cama, de boas, só de cueca samba-canção preta e tocando violão. Quando me vê leva um susto!

- E aí! – digo despreocupadamente lhe dando um joinha rápido enquanto sigo meu caminho.

Felipe ainda levanta para ver a cena, assim como Davi, que me acompanha com os olhos. Os dois estão abasbaquados demais. É caralho, sou eu, Cacau, eu hein!

Paro em frente a porta do quarto de Chouri. Respiro fundo e quando estico a mão para bater na porta eis que Chouri já a abre. Ele ouviu a minha voz e se antecipou.

- Oi! – digo agitada.
- Oi! – responde ele assustado, ainda usando o macacão vermelho da manifestação – O quê você tá fazendo aqui?
- Eu preciso muito falar com você, de novo, posso entrar?

Ele olha, rapidamente, para Felipe e Davi, que estão curiosíssimos com tudo aquilo. Depois volta a olhar para mim e responde:
- Claro, entra aí.

E eu entro. E quando ele fecha a porta atrás de mim eu não consigo dizer mais nada porque a minha boca já está colada com a dele e meu corpo já tá embolado com o dele e eu só saio de lá na manhã do dia seguinte.

Eu gosto de brincar de ser blogueira e aqui eu vou compartilhar com vocês um pouco do meu trabalho como designer e cool hunter. E também vou mostrar as novidades do mundo atípico e como fazer para interagir com esse universo porque... né!

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