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Cacau dos Santos

Designer Web Designer Cool Hunter Mídias Sociais e nas horas vagas... Blogueira!

29 março 2017

Licor de Cacau - 1ª Temporada - #6 - 336

  • março 29, 2017
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Imagem: Cacau dos Santos

(1) Sobre fundo preto surgem, em letras brancas, sucessivamente, as seguintes frases:

AVISO: A história a seguir contém linguagem atípica, palavrões, termos em inglês, muitos pontos de exclamação e referências da cultura pop e, devido ao seu conteúdo, este pode causar crises de risos e nostalgia aos leitores. Todos os personagens e eventos - mesmo aqueles baseados em pessoas reais - são fictícios. Se por ventura você se identificar com algo que foi escrito ou com alguém citado, isso significa que a sua loucura se parece um pouco com a minha e aproveite esse momento de coincidência para me seguir no instagram: @thecacaudossantos

(2) As frases desaparecem em fade e surge título da série seguida da primeira cena

LICOR DE CACAU
EPISÓDIO 6 – 336
Escrito por: Cacau dos Santos

Rio de Janeiro, bairro das Laranjeiras
27 de fevereiro de 2017
9h43 am

Sim, esse é mais um daqueles episódios que começa com uma música de cena, então bora dá o play:


CÂMERA EM PLANO GERAL SOBRE A RUA DAS LARANJEIRAS

Velho, eu tô ruimzinha! Na merda! O que acontece: sábado a noite foi o show do Jaloo no Gamboa, e mesmo chegando mais cedo do que o esperado (2 da madruga), no domingo eu acabei acordando às 7 da madruga por conta da Cake (já falei que ela é um despertador de pelos e que, todos os dias, às 7 horas em ponto, ela está de pé), e também levantei cedo por conta do OSCAR! Sim, todo o ano é tradição na minha vida - acordar cedo, arrumar a casa e passar o resto do dia sentada no sofá em frente da tv acompanhando toda a cobertura da premiação. Não saio por nada, nem pra comprar comida, a comida que vem até a mim, peço logo 2 pizza tamanho-família-maracanã-extra-big-ultra-larger-com-borda-recheada só para não me dar o disfrute de encostar o umbigo no fogão. Aliás só levanto pra ir no banheiro e agora para limpar alguma sujeirinha da Cake e já está de bom tamanho. Sim, eu amo cinema e sim já houve uma época em que quis ser cineasta e até sonhava com o dia em que ganharia um Oscar e faria história como a primeira mulher negra e brasileira a receber o prêmio na categoria Melhor Diretor(a).


Seria épico... se minha mãe não tivesse pedido a minha tia para pisar nesse sonho com seu salto agulha poderoso que rege a nossa família. É, minha mãe não queria a filha dela fazendo cinema e passando fome, queria a filha formada em medicina, sendo cirurgiã plástica e ganhando baldes de dinheiro. Minha mãe não conseguiu o que queria e nem eu e terminamos todas infelizes no quesito profissão.

Enfim, foi o Oscar ontem e fiquei até às 2 da madruga acordada, o que foi perfeito pois presenciei um momento que já se tornou histórico: LA LA LAND sendo anunciado como o grande vencedor na categoria Melhor Filme e, 3 minutos depois, eles descobrem que houve um equivoco e o vencedor, na verdade, era MOONLIGHT! BERREEEEEEEEEEEEEEEEEEEI! SIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM!!!!!!



Eu fui a própria Janelle Monáe comemorando essa vitória!


Sério, eu queria muito que ele ganhasse... e ganhou! Sorry LA LA LAND mas deu os niggas in da house! Só lamento pelos outros.


Enfim, por duas noites seguidas eu fui dormir tarde e acordar cedo, então... tô eu tô ruimzinha! Na merda! Essa coisa de ficar em casa dá mais trabalho que ir para o trabalho. Mas cá estou eu, de pé às 9h43 porque preciso fazer comprar, só há pizza na minha geladeira e meu corpo precisa de comida de verdade, comida saudável de preferência. Então aqui estou eu rumo ao Hortifruti que fica só a alguns metros da minha casa.

Olho pra câmera e começo a falar sozinha: - Gente eu amo Laranjeiras por causa disso, tem tudo aqui e é tudo perto, é tudo acessível, fora a segurança! Eu posso ficar parada ali no cruzamento da esquina, segurando um iPhone 6S rosa que nada vai me acontecer, no máximo vão achar que estou colocando o aparelho pra tomar sol!... Gente eu amo Laranjeiras!

OK, chega de falar sozinha e vamos as compras, pego o carrinho e entro no Hortifruti que, pasmem, está lotado! Gente, é Carnaval, como assim? Vão pros Blocos! Vão lá pra Quadra do Cardosão ver se hoje tem o Xupa Mais Não Baba.

- Eu hein, é por isso que eu não gosto de Laranjeiras, povo saudável, de bem com a vida e que troca as bagunças de Carnaval por uma ida ao supermercado e não me deixam ser a única diferentona da história! Aqui só eu posso ser a alternativa! Francamente! – Falo alto e sozinha de novo.
- Amor, olha ali, aquela garota tá falando sozinha. – Observa uma mulher.
- Deve ser louca, coitada. – Observa o homem.
- Aaaah qual foi? Agora eu não posso nem fazer uma reflexão em voz alta para o universo me ouvir? Me poupem vocês dois! – Respondo.

Eles, claro, não entendem nada e me dão as costas como resposta.
- Isso aí, vão embora e deixem a mim e minha reflexão em paz!

Até aí tudo estava OK na medida do possível, vou olhando o preço da maçã argentina, da banana, mais pra frente tem aveia orgânica, pão, seção de frios, e eis que aquela figura masculina aparece na minha direção, e tudo fica em SLOW MOTION.

- ...Peraê... – Penso eu enquanto Ele passa ao meu lado - ...Ele de novo!

O “Ele” em questão era um sujeito que já havia passado por mim umas 4 vezes no último mês. 5 contando com essa de agora. Tudo começou quando fui fazer aquela fatídica entrevista de emprego lá na THE JONAS - MARKETING DIGITAL. Então, quanto ia para o Largo do Machado a pé eu passei por Ele a primeira vez. Alto, cabelo curto descolorido, meio bochechudo, pele parda, barba por fazer, camisa branca de banda de rock, calça jeans surrada e rasgada e tênis. Foi coisa de segundos mas... sei lá, Ele ficou na minha cabeça porque fiquei com a sensação de que o conhecia de algum lugar... mas segui com a minha vida e teria sido um encontro sem importância alguma se, 2 semanas depois, eu não o tivesse visto saindo da padaria Lamengo que fica na esquina da minha casa. O reconheci pelo cabelo, e a cara bochechuda. Gente quem é esse sujeito e por que tenho quase certeza de que o conheço de algum lugar e que ele foi importante na minha vida?

Bom, uns 4 dias depois olha ele ali cruzando meu caminho de novo. Dessa vez foi no metrô, lá estava Ele recarregando seu cartão enquanto eu comprava a passagem na bilheteria. Assim que fez a recarga do cartão Ele saiu correndo mas acabou que entramos no mesmo vagão. Ele saltou na estação Central e eu na Uruguaiana.

Por fim cruzei com Ele novamente semana passada, quando fui comprar a roupa para o show do Jaloo. Estava no ponto do ônibus e ele passou por mim e usava a mesma blusa branca de banda de quando nos vimos pela primeira vez, ou melhor, quando o vi pela primeira vez. Ele seguiu em direção a Rua Soares Cabral e eu fiquei no ponto até meu ônibus chegar.

E agora aqui estamos nós de novo, dentro da Hortifruti, com Ele passando em SLOW MOTION e eu o encarando com aquela expressão de ponto de interrogação. Ele nem se deu conta de que o estava olhando... mas o casal que me achou louca, sim!
- Olha amor, ela tá encarando o sujeito como se ele fosse 1 pedaço de presunto. – Observa a mulher.
- Deve ser ex-dela. – Observa o homem.
- AAAAAH QUAL FOI? Vão ficar me seguindo o dia todo?! – pergunto aos dois já furiosa.

E com a minha resposta mais uma vez o casal me dá as costas como resposta. E perco Ele de vista. Tá decidido: da próxima vez que cruzar com esse sujeito eu vou perguntar o seu nome e de onde diabos a gente se conhece pois acho inacreditável ele passar sempre por mim e eu ficar com essa sensação estranha de já termos sido grandes amigos no passado.

Termino de fazer as compras e volto direto pra casa e já começo a preparar as coisas para o almoço quando meu celular toca. É Valentina me ligando do Whatsapp.
- Fala mulher, lembrei de você agora vendo as notícias no Globo News, tão falando da gafe que aconteceu ontem no Oscar, deram o prêmio ao filme errado, é isso mesmo?
- HAHAHAHAHA, é isso mesmo, anunciaram LA LA LAND como o grande vencedor do Oscar de Melhor Filme mas o correto era MOONLINGHT. Amei sim ou sim?
- HAHAHAHA, sabia que ia gostar, você tinha me dito não curtiu esse musical.
- Não é que não curtiu, só não achei tudo isso o que falaram, é mais do mesmo. Em compensação MOONLIGHT é de uma delicadeza, um filme que toca a alma por sua sensibilidade e aqueles 2 garotos, da fase 1 e 2 da história, eu quero adotá-los! MUITO AMOR! E o negão da fase 3, QUE NEGÃO DA PORRA!
- HAHAHAHAHA, idiota! Assistiu tudo até o final?
- Como manda a tradição, tanto que estou aqui caindo de sono.
- E como foi o show de sábado?
- Foi bem legal, sabe? Não dava nada, não esperava muito e virei fã do cara.
- É Jaloo, é isso?
- Jaloo.
- Não é dele aquela música que...
- É, é dele. – A interrompo.
- Me lembro que você escutou muuuuuuuuuito essa música naquela fase.
- Sim, muuuuuuuuuito! Foi meu hino da recuperação por assim dizer.
- E como se sentiu ao ouvi-la ao vivo?
- Como me senti?... – e fico muda e pensativa por alguns segundos - ...foi estranho, Tina. Não vou negar, um filme passou na minha cabeça naquele momento. Não fiquei mal como antes mas fiquei triste porque, todas as vezes que me lembro do que o Filho-Da-Puta-Da-Tijuca fez comigo é assim que me sinto, triste. Triste e com raiva, mas não muito triste e nem com muita raiva como antes mas, ainda sim, triste e com raiva. Você me entende, não é?
- Sim, eu entendo. E estranho seria se você não se sentisse assim. E o Pedro, tem notícias?
- Pra falar a verdade já tem 1 semana que a gente não se fala, o que significa que tudo está bem pois notícia ruim vem rápido.
- Verdade. Bom, só liguei pra dizer que vi essa notícia do Oscar e me lembrei de você. Vai curtir algum Bloco de Carnaval hoje?
- Não, hoje eu vou descansar, vou retomar as atividades amanhã. E por aí, como estão as coisas?
- Ótimas! Não troco essa paz por nada! Alugar essa casa em Magé e fugir do Carnaval foi a melhor ideia que eu e minha irmã já tivemos. Sério, não sei como vocês aguentam esse calor e essa loucura toda. Pra mim isso é humanamente impossível! DÁ NÃO! QUERO DISTÂNCIA DESSA MUVUCA!
- Pois eu AMO essa muvuca! Me julgue, adoro Carnaval!
- Cruzes, como posso te amar desse jeito? Bom, vou nessa, te mando whatsapp depois. Beijos Camila, se cuida.
- Beijos Tina!

E assim que Tina encerra a ligação eu fico ali encostada na pia recordando de um passado que insiste em ficar fresco na memória, mas dessa vez, ao invés de recordar do que o Filho-Da-Puta-Da-Tijuca fez, me recordo do que aconteceu depois. Me recordo de quando Pedro entrou na minha vida.

Daí vem aquela fumacinha no ar simbolizando uma lembrança...:

Depois que Letícia e Rafael anunciaram a gravidez, e nós brigamos feio porque eu já estava com Rafael entalado na garganta desde que veio a tona que C. tinha uma namorada e Rafael nada contou (ao contrário, ainda mandou um sonoro “Se não sabia disso antes, problema seu”), eu decidi juntar minhas coisas e ir embora. A questão toda era que eu não tinha para onde ir! O jeito foi pedir abrigo na casa de Valentina e a mudança foi bem rápida, tipo, bem rápida mesmo, já que Valentina mora do outro lado da rua! Ela e Letícia são vizinhas de porta desde a infância, logo se tornaram grandes amigas e logo foi ela quem nos apresentou e quando vagou um quarto no apê de Letícia, foi na mesma época em que eu estava saindo de casa e assim as coisas se encaixaram e eu estava dividino o apê com ela desde 2013. E tudo ia bem até que Letícia começou a namorar o Rafael, nunca tive nada contra ele mas aconteceu tudo o que vocês já sabem e mesmo eles me dando um tempo até conseguir um novo lugar para morar eu decidi juntar logo as minhas coisas e ir direto para a casa de Valentina que me recebeu de braços abertos. Eu não conseguia parar de chorar, e ela não parava de falar “Vai passar. Um dia vai passar”.

Mas os dias foram passando e nada de eu dar um rumo na minha vida e nada de me animar. Basicamente eu só acordava, tomava banho, ia para o trabalho, trabalhava, almoçava (sozinha pois não queria a companhia de ninguém), chorava (no banheiro para ninguém me ver ou ouvir), voltava a trabalhar, terminava o expediente, ia para casa da Valentina, tomava banho e dormia. Final de semana, só cama e Netflix. Qualquer coisa que me pediam pra fazer (como lavar a louça ou fazer compras) eu fazia mas no modo automático. Mas quando era por livre arbítrio eu só ficava deitada na cama o dia inteiro vendo Netflix pelo celular. O bom é que botei foi muita série em dia naquela época (BLACK MIRROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOR \o/)

Mas quem me conhece sabe que não sou assim, sou uma pessoa cheia de vida e brilho e eu estava mais apagada do que o de costume. Valentina e sua família estranharam, e se assustaram. Me lembro que uma vez, enquanto estava no banho, ouvi a Virginia, irmã da Valentina, lhe falar:
- Isso não é normal, Tina. Olha pra ela, a garota tá uma morta viva! A Cacau sempre ria, contava piadas, saia, agora mal sai do quarto e ainda por cima se tranca no banheiro pra chorar! Fora que ela não está nem um pouco interessada em dar um rumo na vida, se acomodou. Você PRECISA fazer alguma coisa!

... Peraê, como é que a Virginia sabia que eu me trancava no banheiro para chorar? Aí Meu Deus será que no trabalho eles sabiam disso também?... Eles sabiam disso também, aí que passei a chorar mais ainda!

Cerca de 2 meses depois, quando cheguei de mais um dia (chato) de trabalho, quando abri a porta, lá estavam Valentina, Virginia e Duda (marido de Virginia) me esperando, com a cara mais séria que já vi na vida. Gelei da cabeça aos pés mas disfarcei o máximo que pude.
- Oi gente, tudo bem? Boa noite. Aconteceu alguma coisa? – Pergunto.
- Sim, aconteceu. – Diz Virginia – Cacau, nós precisamos conversar.
- Foi alguma coisa que eu fiz?
- Foi, foi uma coisa que você fez, mas com você mesma.
- Como... como assim?
- Cacau você não está nada bem.
- É Cacau, a gente sabe que você tá triste com tudo o que aconteceu com relação ao (PIIII – SOM DE CENSURA) e tal e... – Ia dizendo Duda quando o interrompi bruscamente.
- NÃO FALA O NOME DAQUELE SUJEITO! – GRITO
- Tá bom, desculpa! A gente sabe que você tá triste com tudo o que aconteceu com relação ao Filho-Da-Puta-Da-Tijuca e tal e ainda teve o lance da Letícia mas, cara, você não pode seguir assim!
- Assim como?!!! – Questiono.
- Aaaah, assim... assim... aaah...
- ASSIM ALIENADA! PRONTO! – Berra Valentina já sem paciência. – Olha só pra você, criatura, tá acabada! Sem brilho, sem vida, você não passa mais uma maquiagem na cara, um batom, e nem vem com essa de que não liga pra essas coisas pois você tem a porra de uma base M.A.C na bolsa! Não sai mais para ir no cinema, coisa que ama, não cozinha mais, que sempre disse que é terapêutico e que cozinhar te deixa feliz...
- É, nem faz mais omelete, sentimos saudades do seu omelete! – Briga Duda.
- Não sai mais pra correr, você adorava correr de manhã antes de ir para o trabalho, não se encontra mais nem com a galera do Rio Comprido e nem com a galera da Faculdade.
- A Fabricia já ligou pra cá umas 3 vezes só hoje pra saber se você tá viva! – Diz Virginia.
- Você vive chorando pelos cantos e acha que não estamos ouvindo e você deixou todos os seus planos de lado e deixou de ser feliz. VOCÊ PRATICAMENTE MORREU POR DENTRO E POR CAUSA DE UM CARA BOSTA QUE NÃO VALE NEM A UNHA ENCRAVADA DO PÉ DE UM MENDINGO!
- ISSO NÃO É VERDADE! – GRITO o mais alto que posso.
- ISSO É A MAIS PURA VERDADE! VOCÊ SE JOGOU NO FUNDO DO POÇO E SE RECUSA A SAIR DE LÁ!
- EU NÃO ME JOGUEI NO FUNDO DO POÇO, ME JOGARAM LÁ! Como você se sentiria se perdesse a sua mãe para o câncer e o escroto do seu pai colocasse a amante dentro da sua casa e você se visse obrigada a recomeçar do zero e tivesse um emprego de merda que lhe dá um salário ridículo mas te suga até o tutano e você é obrigada a aceitar isso porque o mercado de trabalho está uma droga e não há outra opção senão essa e seu coração é partido ao meio por alguém que você tinha a certeza que era especial e você o amou de um jeito único e tão bonito mas tudo não passava de uma grande mentira e sua amiga de apartamento, que deveria lhe apoiar, engravida depois de esquecer de tomar a porra da pílula e ela lhe troca pelo namorado banana que teve a pachorra de dizer na sua cara “Se não sabia disso antes, problema seu”, HEIN, ME DIZ VALENTINA, COMO SE SENTIRIA SE TUDO AO SEU REDOR ESTIVESSE UMA BELA BOSTA?! ME DIZ! VOCÊ SE SENTIRIA A MESMA MERDA QUE EU ME SINTO AGORA! TODOS VOCÊS SE SENTIRIAM ASSIM! Então parem de me cobrar por melhoras e otimismos e omeletes porque a última coisa que eu quero agora é ser feliz ou fazer alguém feliz. Eu só quero chorar e sofrer toda essa dor que eu estou sentindo. É pedir muito?!
- É, é pedir muito! E sabe por que? – Pergunta Valentina.
- POR QUE, DROGA?
- Porque eu não vou deixar! Olha pra mim, Camila, OLHA BEM PRA MIM, olha pra essa cadeira, você realmente acha que eu não sofro por conta disso? Claro que sofro! Sofro todos os dias, isso aqui é uma droga, mas uma vez uma grande amiga me disse que meu potencial era maior do que essa cadeira de rodas e ela estava absolutamente certa. E essa grande amiga é você. Você nunca me permitiu ser infeliz depois que nos conhecemos, por isso eu não vou permitir que você seja infeliz também.

Fico muda por alguns instantes. Todos ficam. Aquilo foi um belo de um soco bem dado na boca do meu estômago. E passado aquele choque só consigo dizer a Valentina uma coisa:
- E o que você pretende fazer?
- Primeiro eu vou ligar pra sua tia.
- NÃO! ISSO NÃO! – Berro.
- EU VOU LIGAR PRA SUA TIA, SIM SENHORA! – Ela avisa
- SE VOCÊ ME AMA NÃO FAZ ISSO!
- EU VOU FAZER! – E começa uma guerra de gritos
- NÃO! POR FAVOR, NÃO! SE FIZER ISSO EU NUNCA MAIS FALO COM VOCÊ NA VIDA!
- POIS NÃO FALE, ENTÃO! – E Valentina sai arrancando a cadeira de rodas em direção ao telefone sem fio e eu corro atrás.
- VOLTA AQUI SUA CACHORRA!

Mas antes que eu pudesse alcança-la, Virginia pula em cima de mim e me imobiliza.
- ME LARGA, VIRGINIA!
- NÃO LARGO! DUDA ME AJUDA AQUI!

E Duda também se joga pra cima de mim e um me segura pelas pernas e outro pelos braços.
- ISSO NÃO SE FAZ! ME SOLTEM, CARALHO!
- Calma Cacau, calma! – Pedia Duda.
- NÃO! POR FAVOR, NÃO! ME MATEM! ME MATEM AGORA MAS NÃO DEIXEM ELA LIGAR PARA A MINHA TIA! NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

E enquanto eles dois me seguravam, Tina pegou o telefone sem fio, foi para o seu quarto, se trancou lá dentro e ligou para a minha tia. Da sala eu ainda consegui escutá-la dizer:
- Sim Tia, é isso mesmo, ela está aqui... ela não está bem... é, concordo, terapia...
- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO! VALENTINA NÃÃÃÃÃÃÃÃÃO! ELA VAI ACABAR COM TODOS NÓS! NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO! – Eu berrava, chorava, implorava mas nada dela interromper a ligação.
E de repente, Duda toma uma atitude drástica: ele me põe em seu colo, igual um bebê recém-nascido, me abraça bem forte e começa a cantar: - “Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, Segura na mão de Deus e vai! Se as tristezas desta vida quiserem te sufocar, Segura na mão de Deus e vai!”.
- ... WHAT?!!!

Que porra é essa? Pior que Virginia fica tocada e começa a cantar junto com ele: - “Segura na mão de Deus, segura na mão de Deus pois ela, ela te sustentará! Não temas, segue adiante e não olhes para trás, Segura na mão de Deus e vai!!”

...Olha eu nem sei o que dizer, só sei que me acalmei igual aquele bebezinho que para de chorar quando ouve David Bowie. >>


É, eu calei a boca legal e eles ali, no coro do SEGURA NA MÃO DE DEUS.

15 minutos depois Valentina retorna a sala e vê a cena, seu cunhado me segurando e embalando igual um bebê-sushi enquanto sua irmã estava diante de nós cantando músicas de Igreja:
- “Tem anjos voando neste lugar, no meio do povo e em cima do altar, subindo e descendo em todas as direções! Não sei se a igreja subiu ou se o céu desceu, só sei que está cheio de anjos de Deus porque o próprio Deus está aqui”.
- ... ah... – Só consigo dizer isso.
- Mas... GENTE?! – Se assusta Valentina.
- Que? Ela tá mais calma agora, não está? – Questiona Duda

Passada a confusão, Tina me explicou que minha tia estava a caminho e que em hipótese alguma eu fugiria da conversa. E, dito e feito, em menos de 1 hora ela chegou até nós.

A campainha toca e Virginia abre a porta, e lá está ela, com seu cabelo-capacete-escovado e impecável, sem 1 fio fora do lugar, com seu terninho preto limpo, em cima de seu salto alto, usando meia-calça preta, com sua bolsa Louis Vitton (original porque ela não é fraca) e aquele perfume Givenchy indefectível. Sabem Viola Davis em ‘How To Get Away With a Muderer’? Então, ela é pinto perto da minha tia! PUTA QUE PARIU, AGORA FODEU FEIO!

- Olá, seja bem vinda. Eu sou a Virginia, irmã da Valentina. Por favor, entre. – Fala Virginia com a voz um pouco tremula. Pois é, minha tia causa esse efeito nas pessoas, só de olhar já te deixa sem graça e intimidada.

Ela não diz nada, só entra na casa e dá aquela analisada da rápida. Duda também está nitidamente constrangido diante de tamanha magnitude mas a recebe com toda educação:
- Olá, boa noite, Carlos Eduardo ao seu dispor mas pode me chamar de Duda. Aceita alguma coisa pra beber? Uma água? Um cafezinho? Whisky? Melzinho?

Minha tia só o olha séria e balança a cabeça num sinal de “não”.
- Aaah, OK, hehe. – E o coitado fica mais sem graça que adolescente pego batendo punheta no banheiro. Tô sofrendo por eles!

Valentina empurra sozinha sua cadeira em direção a minha tia e a cumprimenta:
- Olá tia, obrigada por ter vindo e desculpa o incomodo.
- Eu que agradeço por ter me ligado. – E enfim ela abre a boca! – Será que vocês poderiam me deixar a sós com a minha sobrinha? Temos muito o que conversar.
- Aaaah claro, claro! – Afirma Virginia – Nós 3 vamos para o meu quarto, podem ficar aqui na sala e, qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, podem nos chamar lá!

E os 3 saem da sala numa velocidade e eu penso em ir com eles, fugir daquela situação mas periga eu apanhar (literalmente, fisicamente falando mesmo!) da minha tia se fizer isso. Então me mantenho sentada no sofá, calada e de cabeça baixa. Ela se senta ao meu lado, cruza as pernas e põe sua bolsa Louis Vitton sob seu colo e enfim me dirige a palavra:
- ...Camila...
- ...Tia... – Responde ainda de cabeça baixa.
- ... Lembra quando sua mãe faleceu e eu lhe disse que você precisava de ajuda profissional? Que deveria ir num psicólogo ou terapeuta e você se recusou ferozmente?
- Sim, lembro. – Me recusei não porque não queria ir, na verdade eu até queria isso mas me recusei porque não tinha dinheiro para pagar as consultas e não queria a ajuda dela na época, e nem quero agora pra ser sincera.
- E lembra que eu disse que não me importava em lhe dar uma cerca quantia em dinheiro todo o mês para que pudesse seguir com sua vida em paz já que você não queria mais morar no mesmo teto que o seu pai?
- Lembro, tia. – É, e também me lembro que você ficou do lado daquele biltre quando ele levou a amante pra morar dentro da casa que foi da minha mãe. POR DEUS, ELA ESTAVA SE DEITANDO NA CAMA QUE FOI DE SUA IRMÃ! Sério, aquilo foi grotesco e anormal demais para a minha moral e bons costumes.
- Pois muito que bem, devido a sua situação atual será que você não acha que já está mais do que na hora de aceitar a minha proposta?
- ... – fico calada, prefiro nem comentar.
- Você sempre foi muito orgulhosa, Camila, mas também muito determinada. Correu atrás do que quis e do que achava ser certo, batalhou para conquistar as suas coisas e eu admiro isso, de verdade. Você faz jus ao sangue guerreiro que carrega nas veias.

E pela primeira vez tenho coragem de olhar pra ela, que está séria, me encarando.

- Mas agora você tem de admitir que precisa de ajuda e que não há mal nenhum em aceitar a minha proposta – Insiste ela – ou você acha certo viver de favor na casa do outros e deixar seu lado racional de lado?! Olha só pra você, esta nitidamente acabada! Está feia e ridícula!

E viro meu rosto para o lado e tento conter as lágrimas. É, essa vaca sabe ser cruel quando quer.

- Acha que sua mãe, esteja onde estiver, está feliz por te ver assim? Por favor, claro que não! Então se não quer fazer as coisas da maneira correta por você, faça, pelo menos, por ela!

É, ela sabe mesmo como tocar na ferida.

- O que eu sugiro é o seguinte: você vem comigo agora para a minha casa.
- Não vou, não! – Já nego de imediato.
- VAI SIM SENHORA! – Afirma ela levantando a voz.

E nessa hora consigo ver a silhueta de Virginia e Duda no corredor da sala, eles foram para o quarto porra nenhuma, estão ali quietinhos ouvindo toda a nossa conversa e aposto que Tina está atrás deles fazendo o mesmo.

Minha tia respira fundo e continua a explicar seu plano/proposta:
- Você vai para a minha casa, fica comigo e com a Flor de Lis até conseguimos um apartamento para você morar. Acho que já passou da hora de você ter seu próprio canto e sua independência.

Bom, nesse ponto eu concordo, já vinha tempos que queria meu próprio canto e sentia uma necessidade enorme de ter um lar pra chamar de meu mas meu salário não me permitia bancar tudo sozinha. Tentei explicar isso a ela:

- Mas tia, eu não posso pagar um aluguel sozinha agora. Meu salário...
- Como estava dizendo – e ela me interrompe – eu vou lhe ajudar a conseguir um apartamento e com relação aos gastos, eu arco com 50% deste. Ou seja, pago metade do aluguel, do condomínio e também das outras despesas, com isso não vai ficar tão pesado pra você, correto?
- ... É, correto... – de fato não vai mesmo.
- Mas há uma condição.
- Aaaah sabia, você nunca joga pra perder. – Bufo de raiva.

Ela respira fundo e fala:
- Você terá de ir nas sessões de terapia as quais eu ei de pagar. Sem discussão e sem negociação.
- ... – penso numa resposta mal-educada mas a engulo em seco.
- É para o seu próprio bem, acredite. Então, o que me diz?

Até parece que tenho opção, se eu disser “não” a demonia vai me obrigar a fazer o que ela quer de qualquer maneira! Então acabo lhe dando a resposta que quer ouvir para evitar mais aborrecimentos. E também, dadas as circunstancias eu não tenho muitas opções:
- Sim, eu aceito a sua proposta.
- Ótimo. Agora pega uma muda de roupa e vamos para a minha casa, amanhã a gente volta com o carro da firma e pega o restante das suas coisas.

Com isso eu me levanto do sofá e vou até o quarto de Virginia para dar as “boas novas” a todos mas claro que eles já sabiam dos fatos já que estavam ouvindo tudo no corredor e quando perceberam que a conversa havia acabado, correram para o quarto, trancaram a porta e fingiram que estavam lá o tempo todo. É muita cara de pau!

Bom, eles fingem que não sabem de nada e eu finjo que não sei que eles sabem.
- Gente, eu conversei com a minha tia e achamos melhor eu ficar um tempo com ela e com a minha prima. Vai ser melhor assim, tirar esse peso morto e essa responsabilidade das costas de vocês. – Digo.
- Aaaaaah!!! – E os 3 fazem aquela expressão de “não pode ser”, AAAH VÁ, PAREM COM ESSA PALHAÇADA! Francamente!
- Só queria dizer que sou muito grata por terem me acolhido nesse momento tão difícil da minha vida – isso é verdade – e que se não fosse o apoio de vocês eu não sei o que teria sido de mim – isso também é verdade – Nesse exato momento eu estou bastante ferida e confusa e só quero ir para bem longe e esquecer de tudo o que aconteceu! Mas não posso fugir dos meus problemas, preciso encará-lo de frente e preciso descobrir um jeito de voltar a ser a pessoa feliz que eu era antes de chegar no fundo do poço.

E os 3 ficam calados e nitidamente emocionados.

- Olha, muito obrigada por tudo, de verdade! Eu os amo demais e me desculpem por toda essa bagunça que gerei. – pronto, daí sou só lágrimas!
- Aaaah Cacau, vem cá! – Fala Virginia me puxando e me dando um forte abraço.

E Duda não resiste e se junta e me abraça também enquanto Valentina segura o choro e tenta se manter firme e forte.

- A gente te ama, Cacau, e fez o que fez porque queremos o seu bem. – Explica Virginia.
- É, queremos te ver recuperada. Queremos a boa e velha Cacau de volta. – Explica Duda.
- Eu vou voltar, prometo! Ainda não sei como mas vou voltar! Darei um jeito – Falo enxugando minhas lágrimas. Valentina continua calada e tentando se controlar o máximo possível. – Bom, vou pegar algumas peças de roupa e vou passar essa noite na minha tia. Amanhã volto para pegar o restante das minhas coisas. Tudo bem pra vocês?
- Claro! Faça aquilo o que achar melhor. – Concorda Virginia.

Assim vou até o quarto de Valentina, onde estava dormindo aquele tempo todo, pego só o necessário do necessário – pijama, umas 2 camisetas, 2 calcinhas, escova de dente, chapinha (eu ainda era lisa na época), enfio tudo na minha mochila e vou até a sala onde todos me esperam. Vou em direção a Valentina, me ajoelho e a olho bem no fundo dos olhos.
- Nesse exato momento eu te odeio por ter pego o telefone e ligado para a minha tia.
- Eu sei disso. – Responde ela séria.
- Mas quando meu ódio passar e der lugar ao bom senso eu vou ver e compreender que você fez isso porque me ama e vou te perdoar e voltar a te amar.
- Sei disso também.
- Mas quero que saiba que, independente de qualquer tipo de ódio que eu sinto agora eu sempre vou ser grata por você ter me acolhido e dado o apoio que só a minha mãe saberia me dar! – Daí sou só lágrimas de novo! COMO FAZ PRA FECHAR ESSA TORNEIRA NOS MEUS OLHOS?
- Aí sua idiota, vem aqui e me abraça!
- Tá!

E nos damos um abraço mega forte, tão forte que nem Virginia e Duda resistem e se juntam a nós! Muito abraço Stranger Things!
Nhôôôô!!!
Agora se tem alguém que sabe interromper um momento lindo desses, esse alguém se chama TIA.
- Camila pode ser pra hoje? – interrompe ela numa voz gélida.

Quenga, te detesto! Duda solta Virginia que me solta e eu solto Valentina e o abraço se desfaz. Enxugo minhas lágrimas, me levanto e vou embora com minha tia. Enquanto saia da casa de Valentina consigo ver, do outro lado da rua, a imagem de Letícia pela janela de seu quarto. Ela deve ter visto a movimentação na casa dos Matarazzo e deve ter achado estranho. Quando me vê saindo com a minha tia, fica sem graça, tenta disfarçar mas agora é tarde, já a vi de olho na cena. Bateu raiva naquele momento? Bateu raiva naquele momento! Tanto que desejei que algo muito ruim acontecesse com ela depois de tudo o que houve. Sério, desejei isso.

E assim fui para a casa da minha tia em Vila Isabel. Lis, minha prima de 18 anos, ao me ver chegar, é só alegria e pula no meu colo! - Não acredito que você está aqui! Que bom! Enfim uma companhia para me ajudar a encarar o temperamento difícil da minha mãe... sério prima, a cada dia que passa ela está mais azeda... – me confessa ao pé do ouvido.
- Imagino, já deu pra sentir “o gostinho”. – Confesso.

E com isso eu fiquei hospedada na casa de minha tia por exatos 1 mês e meio. Não foi nada fácil aturá-la esse tempo todo mas fiz conforme o que foi combinado e fui na terapeuta 2 vezes na semana, e sabem que foi algo válido e significativo naquele momento! A terapia me fez muito bem e eu adorava passar aquela 1 hora do dia conversando com a Dra. Luiza. Também me mantive o mais forte e alegre possível (OK que Lis me ajudou bastante, ela espantava a minha tristeza e eu a dela e assim uma cuidava da outra) e minha tia fez o que disse que ia fazer e conseguiu um lugar pra mim. Pra ser mais precisa, ela alugou um apartamento no melhor lugar EVER – Laranjeiras. O bairro onde nasci, cresci e vivi os melhores 12 primeiros anos da minha vida!

Quando minha mãe e minha tia saíram de Minas Gerais e vieram para o Rio de Janeiro, elas dividiam uma kitnet em Botafogo. Mas quando minha mãe conheceu e se casou com o meu pai, os dois conseguiram alugar uma casa na Cardoso Júnior, em Laranjeiras. Minha tia, a pedido da minha mãe, entregou a kitnet de Botafogo e se mudou para Laranjeiras também, pra poder ficar mais perto dela. E assim ela se mudou para o bom e velho 336 na Rua da Laranjeiras, vulgo FAVELÃO! Que reconhecimento mais deselegante ele tinha na época mas reza a lenda que isso aqui era uma zorra nos anos 90 e por isso recebeu esse simpático apelido, FAVELÃO. Enfim, minha tia morou aqui no tempo das vacas magras mas assim que seu negócio de Café Orgânico deu certo, ela se mudou para uma bela casa numa vila em Vila Isabel e o 336 ficou pra trás. Até aquele momento.

Conversa daqui, negocia dali, ela conseguiu alugar pra mim o mesmo apartamento no qual viveu durante anos. E quando me levou até lá eu não conseguia acreditar! Na hora eu recordei de um monte de memórias esquecidas, aí vai ser uma lembrança dentro de uma lembrança (muito INCEPTION isso, eu sei oO).


Me vi garotinha correndo pelos corredores do prédio, de quando ia a pé da minha casa até o colégio Miraflores, das caixinhas de morango que meu pai comprava mim porque eu simplesmente amava morangos! Caralho como nós erámos felizes naquela época e agora eu estava de volta a aquele lugar tão especial.

- Você gostou? Se vê morando aqui? Quer ficar com esse apartamento? – Me pergunta minha tia, interrompendo minhas lembranças dentro de uma lembrança.
- Sim, eu quero ficar aqui.
- Ótimo, vou fechar o contrato do aluguel então.

Música da cena:


E com isso eu me mudei para o 620 do bloco A do 336 no bairro das Laranjeiras o qual eu não sei se ficou satisfeito e sorriu ao me ver voltar mas eu estava radiante. Tão radiante, plena e feliz que todos aqueles problemas que estavam me assombrando nos últimos meses, haviam desaparecido. Eu estava voltando a ser a Cacau de antes. A terapia estava tendo um efeito muito positivo na minha vida, o Filho-Da-Puta-Da-Tijuca era passado, a dor da perda da minha mãe já não me doía tanto, e aprendi a aceitar e dizer quando doía (pois sempre vai doer, não importa o tempo que passar, mas vou aprendendo a lidar com isso), perdoei Valentina de coração (se bem que não havia nada a ser perdoado, o que ela fez por mim, eu no lugar dela, faria o mesmo), e, pasmem, meses depois eu descobri que Letícia havia sofrido um aborto espontâneo e perdera o bebê que esperava. De todas essa foi a notícia que mais me chocou! Quando lhe desejei que algo ruim acontecesse e disse que era sério, não era mesmo sério, era no calor da emoção, então imaginem o quão mal eu me senti ao saber dessa perda. Foi péssimo! Corri para falar com ela, lhe dei o ombro para chorar, um abraço para confortar e escutei todas as suas lamentações. Ela me pediu perdão por não ter sido uma amiga quando precisei e eu lhe pedi perdão por ter lhe desejado tão mal quando tudo o que ela precisava era de amor para nutrir a vida que ainda carregava na época. Nos entendemos e a amizade foi retomada sem nenhum ressentimento, mas Rafael ainda era um caroço no angu que não me descia! O melhor que pude fazer foi não lhe dar a devida atenção e só lhe falar o necessário do necessário do necessário. Melhor assim.

Enfim, ali estava eu na minha casa em Laranjeiras, e eu estava mesmo feliz, como nunca imaginei que estaria, e as coisas voltaram ao normal.

 Tá, daí vocês me perguntam: E ONDE ENTRA O PEDRO NESSA HISTÓRIA TODA?!

E eu respondo, o Pedro entra agora: ... e as coisas voltaram ao normal... MENOS... minha visão sobre o amor. Essa havia morrido de vez. Eu não acreditava mais que era possível eu encontrar alguém digno e ser feliz ao seu lado. Na verdade, pra mim, essa história toda de “alma gêmea”, “e foram feliz para sempre”, “metade da laranja”, etc e tal se tornou uma grande baboseira no meu conceito. Amor? HÁ, que piada! Sério, eu via casais de mãos dadas na rua e queria bater neles com cachorro morto até o cachorro voltar a latir! Quando ia no cinema e via aqueles namoradinhos se beijando, eu fazia som de vômito! Quando algum amigo ou amiga mudava o status para em um relacionamento sério no Facebook eu comentava “Meus pêsames”, ou “Larga a mão de ser otário(a)! Namorar pra quê? Basta comer e cair fora”. Juro a vocês que fazia isso! Me tornei tão anti-amor que amigos vieram me perguntar se tudo estava bem e eu respondia:
- Claro que está! Não estou amando ninguém a não ser a mim mesma, então me sinto ótima!

Olha, amor próprio é mesmo um troço danado de gostoso mas meu ranço pelo amor ao próximo foi trevoso. Logo eu, A romântica incurável, agora abominava qualquer prova de amor. Eu acho que a coisa só começou a preocupar MESMO os outros quando Valentina veio me visitar na casa nova pela primeira vez. Papo aqui, papo ali, paramos para ver um filme no Popcorn.
- E aí, vamos de que? – Perguntou ela animada.
- Pulp Fiction. – Respondo na lata.
- QUÊ?! – Se assusta ela.
- Pulp Fiction, por quê?
- Não, por nada, mas... esse não é aquele filme que você odiava porque tem aquela cena lá no negão sendo enrabado por um cara?
- Veja bem, eu nunca odiei ‘Pulp Fiction’, é Tarantino, minha Nossa Senhora, e Tarantino não se odeia! Eu SÓ odiava essa cena, não o filme no geral. Mas hoje isso já nem me choca mais.
- HÃ?! - e ela se assusta mais uma vez com minha atitude.
- Tá dentro do contesto, a vida é um mendigo currado no meio fio, bêbado, já com a perna toda atrofiada e com a cara toda cheia de porra de adolescente que queima índio.
- HÃ?!!!!
- Aí Jesus Amado, Valentina, Porta dos Fundos! Referência pop!

Segue pra quem não entendeu:


- Tá mas, sei lá, eu pensei que a gente fosse ver algo mais... lightzinho, saca?
- Lightzinho?! Tipo o quê?
- Aaaah não sei... bora ver ‘Cartas Para Julieta’?
- Faça-me um favor, né criatura! Historinha mela-cueca e embalada por música de Taylor Swift! Por que não atira logo em mim e acaba com isso de uma vez?
- AFF! Esquece a ideia de ver um filme e liga na TV à cabo mesmo. - retruca ela revirando os olhos.
- Ótimo! Porque começou a nova temporada de ‘Casados com o Inimigo’ e eu não tava mesmo afim de perder! E mais tarde tem episódio inédito de ‘Pecados Mortais’!
- HÃ?!!!!!
- ‘HÃ’ o que, Valentina? - esses 'HÃ' já estão me irritando!
- ... Camila... você não quer ver Discovery Home & Health?
- Pra que? Pra ver mais programas de casamento? Mais dicas de como escolher o vestido de noiva ideal? Olha, agora me dá até urticária assistir aquele bando de otárias gastando uma grana num vestido que só vão usar uma vez na vida e numa união que não vai durar nem 5 anos e SE durar vai ser pra viverem de aparência porque morreram num dinheiro pra fazerem um circo de casamento e agora vão ter de se aturar por toda a eternidade pra corresponderem as expectativas da sociedade. Que visão dos infernos, me poupe de assistir a essa baixeza toda.
- HÃ?!!!!!!!

Não preciso nem dizer que, à partir daí, Tina bolou um plano para me fazer desacreditar no desamor. E a trouxa aqui nem desconfiou de nada. Aconteceu da seguinte maneira – dias depois de me visitar na casa nova, Tina me liga:
- Preciso muito da sua ajuda.
- Diga.
- Lembra do Leo?
- Não.
- Leo, amigo da Marjorie, prima do Duda!
- ...Não.
- Aí caralho, o Leo de Juiz de Fora.

Finjo que lembro pra ela parar de encher meu saco.
- Tá, lembrei. O que tem ele?
- Então, o primo do Leo se mudou para o Rio mas ele acabou perdendo a vaga na república onde ia ficar e agora precisa, com urgência, de um lugar pra morar.
- E eu com isso?
- Você não me disse que há muitos apartamentos aí no 336 pra alugar?
- É, há.
- Então, poderia mostrar um desses para o primo do Leo.
- ... Deixa eu ver se entendi direito: o primo do amigo da prima do Duda tá no Rio e não tem onde morar e eu vou ter de ver casa para o sujeito.
- Isso!
- Ele não sabe usar o ZAP Imóveis, não?
- AAAH PORRA, CAMILA, PODE SER OU TÁ DIFÍCIL?!
- AFF... Tá, eu posso leva-lo até a imobiliária que fica aqui do lado do prédio mesmo e também mostrar o meu apartamento para ele ter uma noção de tamanho.
- Agora sim, muito obrigada pela generosidade. Pode ser amanhã?
- Mas já amanhã?!
- Por favor, cara! O coitado tá na rua, morando de favor, precisando de um lar, tenha compaixão! Além do mais você já passou por isso antes.

Abusando da minha ferida aberta. Que sacana!

- Tá Tina, amanhã. Eu faço isso amanhã. Você vai trazer o cara até aqui?
- Uhum!
- Que horas?
- Umas 14h? Depois do almoço?
- OK, 14h, depois do almoço.

Tava animada com essa ajuda? Não, não tava animada com essa ajuda, mas fazer o que? Me comprometi, boralá. E quando chegou o dia eu tava mesmo nem aí pra nada de nada. Tanto que, vejam só, me vesti na primeira roupa que vi – saia longa preta, blusa preta e sandália Melissa preta. Cabelo, nem um pouco afim de retocar a raiz com chapinha, mandei logo um coque podrão e ficou ótimo no quesito desleixo. Eu estava a própria Vandinha Adams. Pra que super produção nessas horas?

13h50, desço até a portaria e fico esperando Valentina chegar com o tal sujeito. Se bem a conheço ela vai se atrasar então nem esquento a cabeça com a hora. E eu estava ali, de boas, no meu look Black-I-Dont-Care-For-Nothing-Total quando, do nada, vejo um sujeito se aproximando e me encarando. - Qual foi agora? Perdeu alguma coisa aqui em mim? Eu hein... - pensei.

E nisso que o sujeito ia se aproximando, mais ele ia me encarando. E quanto mais se aproximava mais ia reparando... no quão bonitinho ele era... OK Camila, foco. FOCO que a Valentina e o primo do amigo já devem estar a caminho.

...OK, o sujeito bonitinho tá cada vez mais próximo e me olhando de um modo que já começa a me deixar constrangida... por que estou constrangida? Deveria estar com raiva e não constrangida! Por que ele não para de me olhar? Vou manda-lo a merda já já!

E quando ele para na minha frente eu congelo na cena final de Avenida Brasil!
- Camila?
- ... Isso.
- Oi, prazer, Pedro.

Olha... dá o play aqui nessa música e sente a vibe do momento:


O sujeito bonitinho era ninguém mais ninguém menos que o primo do amigo da prima do Duda, e ele sabia meu nome, sabia quem eu era, e a Valentina não estava com ele... e o sujeito era bonitinho! MÁ OI?! OK, foco Camila, FOCO!

- Oi... Pedro... Prazer! – e só consigo estender a minha mão e dar aqueles clássico 2 beijinhos na bochecha.
- Prazer, tudo bem com você?
- Tudo! – Respondo numa animação que não é normal – E com você?
- Tudo bem também. – e ele me sorri o sorriso mais lindo e meigo que vi no último 1 ano. E eu tento controlar sorrir de volta porque... né...
- Onde está a Valentina? – Pergunto.
- Ela me ligou hoje de manhã dizendo que não poderia vir comigo porque não estava se sentindo muito bem mas insistiu para que eu viesse sozinho.
- Não estava se sentindo muito bem? Como assim? – E na hora pego meu celular, abro o whatsapp e vejo que ela me enviou uma mensagem a uns 20 minutos atrás.

Camila, mil desculpas, não vou poder levar o Pedro aí. Acordei com uma dor absurda na coluna!
Tô a base de Dorflex e mal consigo digitar essa mensagem pra vc. Por favor, ajuda o Pedro com o lance do apê, depois me conta como foi? Bjs


- Nossa, ela me mandou mensagem e nem tinha visto. Tá com dor na coluna, é foda quando isso acontece.
- Imagino. - ele responde num tom amigável.
- Bom, já que está aqui, vamos ao lance do apartamento, então.
- Tudo bem :) - e ele me sorri de novo. Agora entendo porque os homens ficam encantados quando eu jogo um sorriso como o dele, é mesmo de deixar os 4 pneus de qualquer um arriados!.. OK CAMILA, FOCO!

Levo Pedro até a imobiliária que fica numa galeria ao lado do meu prédio e um dos corretores nos avisa que há 3 apartamentos vagos Bloco A no oitavo andar, dois acima do meu. Ele aceita mostra-los a mim e a Pedro e nos leva até lá e no meio do caminho vai nos explicando todo o esquema de estrutura e segurança e blá blá blá whiskas sachês que eu não prestei atenção porque, confesso, tava de olho no tal de Pedro, o primo do amigo da prima do Duda. Como é que nunca ouvi falar nele? Se bem que, parando pra pensar, quem é que vai mencionar o primo do amigo da prima? Ninguém, né. São ligações muito loucas mas cá estamos nós num mero acaso do destino... CAMILA FOCO, PELO AMOR DE DEUS!
- Oi? – Pergunta Pedro assustado.
- Oi o que?! – Digo mais assustada ainda.
- Você disse alguma coisa?
- Quem, eu? Não, não disse nada! Por que?
- Por nada, achei ter ouvido você falar algo.

Será que estava falando o que estava pensando de novo?! Ou ele lê pensamentos? Será que leu o meu? Será que leu no momento em que estava analisando a bunda dele e pensando no quão bonitinha ela é?... AÍ MEU DEUS, SERÁ QUE ELE ESTÁ LENDO MEUS PENSAMENTOS NESSE EXATO MOMENTO?! POIS PARE DE LER, ISSO É INVASÃO DE PRIVACIDADE!... Calma aí, deixa eu fazer um teste... deixe-me pensar em... sorvete! Sorvete de morango... milkshake de morango do Bob´s! Vamos ver se ele vai perguntar alguma coisa agora?... Gente a bunda dele é bonitinha!
- Oi? Falou alguma coisa? – Agora quem pergunta é o cara da imobiliária.

Ferrou, os 2 conseguem ler mentes. Também quero aprender esse truque aí!

E depois de visitarmos os 3 apartamentos, agradecemos ao cara da imobiliária pela gentileza e, em seguida, decido mostrar meu apartamento a Pedro, por uma questão de educação, tá!
- Pode entrar, bem-vindo ao meu lar. – Digo
- Obrigado. Com licença.

Gente, que ser gentil.

- Como você pode ver todos os apartamentos tem o mesmo tamanho, é padrão. Parecem pequenos mas cabem bastante coisa e é ideal para uma pessoa morar. Duas no máximo. – Explico tentando ser o mais clara possível.

TECLA SAP: Não te trouxe até aqui para putaria, não!

- Estou vendo, eu o achei ótimo!
- Jura?!
- Juro! Gostei daqui.
- Então você pretende alugar algo por aqui?! – Pergunto meio que otimista.
- Alugar? Não!

SOM DE DISCO ARRANHANDO ENFATIZANDO O MOMENTO “WHAAAAT?!” >>


- Não vai alugar? Mas... como assim não vai alugar? – pergunto meio que sem entender – Você não disse que havia gostado daqui?
- E gostei, achei o máximo! Como você falou é ideal para quem vive sozinho, o que é o seu caso, mas não o meu, eu não preciso de um lugar para morar no momento.
- Não precisa?!!!
- Não! Não preciso!
- Então por que você veio procurar apartamento no meu condomínio?
- Porque a Valentina me pediu! Ela disse que era para uma prima de uma amiga dela que estava no Rio e tinha perdido uma vaga na república onde estava morando e precisa de um lugar novo com certa urgência. Como meu primo Leo não pôde acompanha-la então me pediu pra vir no lugar dele.
- A Valentina o que?!

Agora vocês estão entendendo o caso: Valentina nos enganou! Ela me disse que o Pedro, primo do Leo, precisava de um lugar para ficar e para Pedro disse que uma prima de uma amiga estava sem um teto e se comprometeu em ver um apartamento pra ela. Ou seja, de primos e primas, tudo não passava de uma grande mentira e ela envolveu os parentes no meio a troco de que?... A TROCO DE MARCAR UM ENCONTRO AS CEGAS ENTRE NÓS DOIS!

- Mas que... FILHA DA MÃE SAFADA CACHORRA PARENTE DE UMA LOMBRIGA PREGUIÇOSA E ANEMICA! ESSA GAROTA ME PAGA! – Esbravejo de raiva.
- Assim... tá tudo bem, Camila? Por que eu não estou entendendo mais nada? – Pergunta Pedro assustado.
- Pedro... é que... – e paro e penso, vai adiantar lhe explicar o que está acontecendo? Não, não vai adiantar lhe explicar o que está acontecendo. O melhor a se fazer é, como diria a sábia das sábias, “Relaxar e Gozar” - ...Pedro... quer sair pra tomar um sorvete comigo? Tá um calor da porra e já que estamos aqui, vamos até a sorveteria Itália que fica logo ali na esquina.
- Aaah, por mim tudo bem.
- Ótimo! Me deixa só trocar de roupa, coisa de 5 minutos.

Então é isso, né gente, se já estou num encontro mesmo o melhor a se fazer é aproveitar! Vou até meu quarto e tiro aquela roupa de luto e visto algo descente (TECLA SAP: Levemente sexy sem ser muito vulgar), o bom e velho vestido verde florido. Já devidamente vestida eu voltou para a sala e dou o braço a Pedro e o levo até a sorveteria da esquina e lá ficamos conversando durante um bom tempo. Depois, já no início da noite, paramos pra fazer um lanche no Orange Burger e, por fim, vamos andando até o do Largo Machado conversando mais sobre todos os assuntos que vocês podem imaginar, de eleições americanas até o que teria acontecido se Neo tivesse tomado a pílula azul com a pílula vermelha? Enfim, foi de longe o encontro mais inusitado e mais agradável que eu já tive na vida! E foi tudo tão agradável que esqueci completamente que havia me tornado uma antirromântica. Só que ao me despedir do Pedro eu me toquei de que ainda não queria e nem estava pronta para o amor. Ainda precisava de um tempo para me recuperar 100% de tudo o que havia acontecido na minha vida naquele ano.

Pego o celular e mando uma mensagem direta e reta para Valentina:

Ô sua vaca, você não estava sentindo dor na coluna coisa nenhuma, não é mesmo? Pois saiba que seu plano funcionou, o “encontro” foi muito agradável e ele é um gentleman, mas vamos ficar só na amizade, está bem? Então está bem. Aliás ele encontrou o apartamento ideal para “a prima da sua amiga”. Bjs


E não demora muito para ela me responder:

Aí que bom que ele conseguiu um apê para essa prima da minha amiga! Fico muito feliz que todos vão ter onde morar agora! HEHEHEHE! Aliás minha coluna está ótima! O Dorflex fez efeito mais rápido do que o esperado. Ô Glória! Que milagre! Deus é mais! E você não pode negar que Pedro é um filézinho. Deu um close naquela bundinha firme? Amiga, amor é amor e um lance é um lance. Vai nessa, se joga, não tô pedindo para vocês se casarem, estou? Não. Então... ;)


Pior que Valentina estava certa, que mal tem um lance com ele, afinal já faz um tempo que não embolo meu corpo em outro corpo... E assim a nossa amizade se consolidou, passamos a nos ver com mais frequência do que o esperado, logo a minha galera conheceu a galera dele, logo a minha galera começou a torcer por ele! A ponto de eu receber mensagens do tipo:
FABRICIA: E aí, já comeu? Pq senão eu como e nem gosto dessa fruta!
JOHNNY: Acho que a hashtag PEDRAU (Pedro + Cacau) tem potencial para um trending topic, só acho!
ALICE: Por favor, tenham filhos! 💕<3 br="">
<3 br="">DUDA: Geral tá indo jogar uma partida de futebol, Pedro tbm vai, tão perguntando aki de vc, se vai aparecer de líder de torcida e sacudir os pom poms pro cara? :p
VIRGINIA: Vi q vc marcou que estava tomando um chopinho na Rua do Rio com o Pedro, sei não hein...

Mas gente, que isso agora? BBB? Daqui a pouco toca Big Fone!... E não é que o telefone da minha casa tocou na hora que tive esse pensamento! CRENDEUSPAI! E era o próprio dito cujo do Pedro querendo saber se eu não estava afim de participar de uma social na casa dele mais tarde? Um monte de gente ia e, por que não, eu não ir também? E fui.

E como já é de conhecimento geral, Pedro dividia o apartamento com seu primo Leo. E, naquela noite, a tal social era mais uma armação pra gente ficar juntos e a sós. Ninguém apareceu, nem o Leo, morador do local, estava na casa. Erámos só nós dois, e acham que me deixei intimidar? NADA!

- Pedro, abre aí a garrafa de vinho e o pacote de Doritos que eu trouxe, vamos comer e beber!

E assim foi, ficamos comendo e bebendo e gargalhando de coisas sem sentido a noite inteira, sentados no chão da sala. Até que fui ver a hora e já eram quase 1 da madruga!

- Cara, eu nem senti a hora passar. – afirmo já meio de pileque.
- Nem eu! Que loucura! – afirma ele.
- Mas foi muito boa essa social a dois, parecia uma música da Banda do Mar.
- Banda do Mar?
- Uhum, uma assim “Mesmo que não venha mais ninguém ficamos só eu e você, fazemos a festa, somos do mundo, sempre fomos bons de conversar”.
<3 br="">- Uuuh...
- Conhece?
- Não.
- HAHAHA, é uma extensão do Los Hermanos.
- Ah tá, é que eu não curto muito Los Hermanos.
- Eu também não, por isso gosto de você.
- ...

PORRA! Pra quê que fui dizer isso? Dá uma resposta estratégica! Dá uma resposta estratégica! DÁ LOGO A PORRA DE UMA RESPOSTA ESTRATÉGICA!

- Assim, gosto no bom sentido! No de amigo! Pessoa! Você me entendeu, não é? Diz que sim! Já estou falando coisas sem sentindo, bebi muito vinho e ele sobe rápido a minha cabeça! Melhor eu ir enquanto ainda consigo chamar um táxi! – e começo a tagarelar feito louca! Melhor ir logo embora dali.
- Não precisa ir embora agora! – Diz ele rapidamente antes que eu me levante. – Quer dizer, você pode ficar, se quiser.
- Posso?! – me assusto com a proposta.
- Pode! – ele meio que se assusta com a própria proposta que está me fazendo – Quer dizer, não acho que o Leo vai aparecer por aqui tão cedo e se aparecer não tem problema, eu fico no meu quarto e ele no dele e quantas vezes ele trouxe mulher pra cá e eu nunca questionei nada. Não que eu esteja trazendo mulher pra cá também e não que esteja te colocando nessa posição. Não é isso, é que... aaah, se você quiser ficar, não tem o menor problema. – e ele fica tagarelando mais do que eu. OK, agora é certo, a combinação Vinho + Doritos faz qualquer um falar feito uma matraca.

Paro e olho para o Pedro. E num ato rápido de coragem pergunto:
- Pedro...
- Diga.
- ...você também gosta de mim, assim, como amiga pessoa?
- Gosto!
- Então por que até hoje a gente nunca se beijou?
- Sei lá, por falta de oportunidade, ou de vinho.
- ...ou de Doritos.
- É, de Doritos.

E caímos os dois na gargalhada! Aquele era, sem dúvidas, o papo mais louco que já tivemos! Mas passada a crise de gargalhadas, um olha para o outro que olha para o um e aí é inevitável e começamos a nos beijar de um jeito que...SEM OR! Só fico me perguntando por que levei tanto tempo para fazer isso?!

E mesmo nenhum dos dois sendo fã dos Los Hermanos ou mesmo de sua “extensão” A Banda do Mar, se tem uma coisa que pode descrever com maestria aquele nosso momento, sem dúvida alguma é essa música aqui:


- Você... quer ir para o meu quarto? – pergunta Pedro.
- Quero. – respondo sem pestanejar.

E por aí vocês já sabem o que aconteceu. Depois disso Pedro e eu seguimos como amigos, amigos que se pegavam de vez em quando mas amigos. E o resto da história vocês já sabem, ele teve de voltar para Pindamonhagaba do Sul... Juiz de Fora, e aqui estou eu, em plena segunda-feira de Carnaval, encostada na pia da minha cozinha, recordando a nossa primeira transa e todos os outros bons momentos que tivemos juntos.

Sinto falta do Pedro, claro que sinto, mas não me permito mais sonhar ou acreditar nessa bobagem de amor que veio para durar e vai sobreviver a todas as barreiras. Me tornei muito mais prática e realista que isso. Se ele não está aqui então vida que segue. E se algum dia voltar, vamos ver no que vai dar. Mas enquanto isso eu vou viver o meu presente e isso não se discute.

Meu celular vibra. É um whatsapp da Fabricia.
FABRICIA: Gata eu sei que você disse que ia tirar a segunda para descansar BUT vai ter Bambas do Catete às 19h. Bora? Até o Johnny, nosso punk-emo, disse que vai! E isso é um acontecimento histórico!
EU: Bora nessa joça! Descansar eu descanso na quarta-feira de cinzas!
FABRICIA: *0*

É, mudei de ideia, vou sair para me divertir com meus amigos porque é Carnaval.

18h Chego no McDonald´s do Largo do Machado, ponto de encontro com o pessoal. Não vejo nem sombra de Fabricia, Mallu e Johnny. Aposto que vão se atrasar. É sempre assim. Tá um calor da porra e aquele Frozen de Fanta Laranja de R$ 3 tá me tentando. Por que não um agora? Não resisto e entro no McDonald´s rapidinho só pra tomar essa bebida. Sigo até a fila e eis que vejo a última pessoa que achei possível ver naquele momento: Ele!

Sim, Ele, usando uma fantasia de pirata. Não é possível, esse sujeito tá me perseguindo! Sexta vez esse mês e 2 só hoje! Lembram da promessa que fiz a mim mesma? Que da próxima vez que eu cruzasse com esse sujeito eu iria perguntar o seu nome e de onde diabos a gente se conhecia pois acho inacreditável ele passar sempre por mim e eu ficar com essa sensação estranha de já termos sido grandes amigos no passado? Então, essa era a hora!

Não gente, não vou fazer isso! Não vou chegar a um completo desconhecido e fazer essa pergunta, ele vai pensar que o estou paquerando! Não vou perguntar, não vou pergunta... por que estou andando até a sua direção? Eu NÃO VOU perguntar! NÃO VOU!

- Dá licença?
- Hã? Oi?! - Ele se assusta.
- Cara, desculpa o incômodo mas qual o seu nome?

Pronto, perguntei.

- Meu nome? É Antônio. - responde ele sem entender patavinas.
- Antônio... Antônio... Antônio, Antônio, Antônio, Antônio... não me lembro de nenhum Antônio mas me soa tão familiar... Antônio, Antônio?
- ... E você quem é? - questiona ele.
- Camila.
- Camila?
- Camila.
- Camila!
- ...Camila.
- CAMILA! Meu Deus, Camila! Filha do Seu Santos! Sobrinha da Tia!
- ...sim, essa sou eu! - MÁ OI! ELE ME CONHECE!
- Camila sou eu, Chouriço!
- Chouriço?!
- É, o Chouri! Do Miraflores!
- Chouri.. SANTA MÃE DE DEUS, CHOURI! EU SABIA QUE TE CONHECIA DE ALGUM LUGAR!

Eu disse que esse sujeito não me era estranho, não disse!

Eu gosto de brincar de ser blogueira e aqui eu vou compartilhar com vocês um pouco do meu trabalho como designer e cool hunter. E também vou mostrar as novidades do mundo atípico e como fazer para interagir com esse universo porque... né!

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