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Cacau dos Santos

Designer Web Designer Cool Hunter Mídias Sociais e nas horas vagas... Blogueira!

24 março 2017

Licor de Cacau - 1ª Temporada - #5 - INSIGHT

  • março 24, 2017
  • by
Imagem: Unsplash

(1) Sobre fundo preto surgem, em letras brancas, sucessivamente, as seguintes frases:

AVISO: A história a seguir contém linguagem atípica, palavrões, termos em inglês, muitos pontos de exclamação e referências da cultura pop e, devido ao seu conteúdo, este pode causar crises de risos e nostalgia aos leitores. Todos os personagens e eventos - mesmo aqueles baseados em pessoas reais - são fictícios. Se por ventura você se identificar com algo que foi escrito ou com alguém citado, isso significa que a sua loucura se parece um pouco com a minha e aproveite esse momento de coincidência para me seguir no instagram: @thecacaudossantos

(2) As frases desaparecem em fade e surge título da série seguida da primeira cena

LICOR DE CACAU
EPISÓDIO 5 – INSIGHT
Escrito por: Cacau dos Santos


Rio de Janeiro, bairro das Laranjeiras
19 de fevereiro de 2017
7h22 pm

MÚSICA DA CENA:






FACEBOOK Fabricia Xavier te convidou você para o evento Jaloo de Carnaval


Sábado 25 de fevereiro às 23:00 – 4:00
Galpão Gamboa
Rua da Gamboa, 279 - Gamboa, 20220-325 Rio de Janeiro
Fabricia Xavier e Johnny Bandeira confirmaram presença
O músico, produtor, DJ e performer paraense Jaloo desembarca no Gamboavista com sua música pop, eletrônica e experimental. Jaloo apresenta remixes de artistas como Rihanna e Donna Summer e, também, apresenta suas próprias composições, canções, interpretações, remixes e arranjos de seu primeiro álbum, "#1", lançado recentemente, que traz um caldeirão de regionalismo com o melhor do internacional.


:: FICHA TÉCNICA SHOW :: 
Voz e sintetizador: Jaloo
DJ: Carlos Nunez
Percussão: George Costa 
>> Após o show: Festa Pombo no Tucupi, com os DJs Ber Back e Jojo Rodrigues arrebentando na pista! 

:: SERVIÇO ::
SHOW - JALOO
+ FESTA POMBO NO TUCUPI  
Classificação: 18 anos

:: INGRESSOS ::
Inteira: R$20 | Meia: R$10 (somente para estudantes e terceira idade, com apresentação de carteirinha) | Moradores da região: R$5 (com comprovante de residência)  
Bilheteria Galpão Gamboa: de 3ª a 6ª » 14h às 18h *
Bilheteria Pequena Central: de 3ª a 6ª » 12h às 17h
*
no dia do show, a bilheteria do Galpão Gamboa abre às 20h 

#GAMBOAVISTA6 


PLANO MÉDIO – COMIGO...DIGO, A PERSONAGEM CACAU FALANDO DIRETO PARA A CÂMERA

Jaloo! O novo ótimo cantor do momento. O conheci ao acaso, enquanto navegava no Papel Pop e vi uma matéria sobre a Luiza Possi, que na época estava lançando o clipe da música que havia regravado do Jaloo - INSIGHT, e me julguem, a amei na voz dela, mais do que na dele! Há os que preferem a versão original mas eu fico com a da Luiza porque... (3 segundos de silêncio com aquele olhar lá longe pensativo até que volto para a realidade atual)... deixa pra lá.

Confirmo presença no evento e, em seguida, mando whatsapp para Fabricia:
EU: Vc vai mesmo no show do Jaloo no próximo sábado?
FABRICIA: VOU!!!! E a Mallu vai comigo, Johnny também! Diz que vai, por favor! Quero muito que você conheça a Mallu!!!!!!!
EU: Eu vou, cara, te passando pra dizer isso
FABRICIA: FODA!!!!!!! Vamos nós 4 juntos!
EU: Sim! Concentração aqui em casa e depois chamamos um Uber e vamos todos juntos. Na volta, se ficar muito tarde, podem dormir aqui como é de costume seu e do Johnny
FABRICIA: A Mallu pode dormir aí tbm? É que ela mora em Vicente de Carvalho e vai ficar complicado pra voltar de madrugada, metrô só às 7h 

PORRA! Vicente de Carvalho! – Digo olhando pra câmera – Não tinha ninguém mais longe pra ela pegar, não?

Volto para o whatsapp e respondo:

EU: Sim, ela pode dormir aqui em casa (Fazer o que, né? Penso)
FABRICIA: EBA :D VLW Cacau :* 

E o primeiro grande evento de Carnaval foi definido com sucesso. Não que eu seja muito fã do Jaloo mas é aquilo, né, tô numa fase de aceitar as proposta feitas pelos amiguinhos, mesmo que eu ache tudo duvidoso, mas vai que eu sou surpreendida? Então boralá! Sem contar que essa vai ser a primeira vez que verei essa tal de Mallu. A Fabricia não sabe falar em outra coisa a não ser nessa garota. É “Mallu isso, Mallu aquilo, Mallu meus ovos”, agora tô curiosa pra conhecer a tipa. Não que eu não tenha stealkeado o facebook dela de cabo a rabo... e não que eu já não saiba onde ela trabalha e qual foi o filme que viu na última sexta-feira pois postou lá na timeline: Assistindo MOONLIGHT com Fabricia Xavier 

Não, vejam bem, eu só fiz aquilo o que uma pessoa na minha situação faria e usei a ferramenta que todos usamos na hora de saber mais sobre alguém - eu usei a internet! E ela me pareceu uma pessoa legal? Ela me pareceu uma pessoa legal! Mas até o mais pedófilo dos pedófilos é legal no mundo virtual, agora eu preciso saber como é a pessoa na vida real! E pra isso... bora comprar roupa nova pra festa!

SAINDO DE UMA IMAGEM PARA OUTRA – PLANO TILT UP DA ENTRADA DO MEU CONDOMÍNIO SEGUIDO DE MOVIMENTO DE CÂMERA PAN PELA PELA MINHA SALA

Rio de Janeiro, bairro das Laranjeiras
25 de fevereiro de 2017
7h16 pm 

Marquei do pessoal chegar aqui em casa às 19:30. Já tá tudo pronto, limpo e arrumado, eu já estou devidamente vestida, maquiada e ansiosa... ansiosa? Por que tô ansiosa? Tão bobo isso – digo olhando pra câmera – eu só vou conhecer a namorada da minha amiga! Cake – agora digo olhando para a minha bichinha que está deitada ao pé do sofá – a troco de quê mamãe está tão ansiosa com essa palhaçada toda?! 

E Cake nem um latido sequer me dá, apenas me olha por alguns segundo com um olhar de sono e depois volta a dormir. Cagou pra mim! Isso é que é amor! 

7h20 pm e alguém bate na minha porta. Corro até ela, dou uma olhada pelo olho mágico e, do outro lado, lá estão eles – Johnny, Fabricia e uma figura feminina que só pode ser a tal de Mallu. Como que num impulso eu abro a porta e dou logo de cara com os 3.
- Eu não tô acreditando! Vocês chegaram com 10 minutos de antecedência! – Vibro
- Agradeça a mim que ficou no pé dessas duas aqui senão ainda estaríamos no metrô da Estácio! – Se gaba Johnny já vindo na minha direção para me dar um abraço. 

E não resisto e me jogo em seus braços, que me levanta e me gira fazendo com que os dois saiam rodopiando até o meio da sala!  
- Aí que abraço gostoooooso! Que saudades que eu estava de você! – Digo com a cabeça ainda enfiada no seu pescoço – Não te vejo desde o início do ano, antes das nossas férias para Montevidéu! 
É aí que paramos com o abraço e Johnny me coloca no chão. 
- Pois é, pra mais de 1 mês! E você ainda não me deu meu alfajour! – Cobra ele.
- Cruzes Johnny, só pensa em comida, tá pior que eu... HAHAHAHAHA!
- HAHAHAHAHA! 

E começamos a rir enquanto olho para Fabricia e a figura feminina que entram discretamente na sala.

 - E você, Fabricia, não vai me dizer oi e nem vai fazer as honras? – Cobro, olhando para as duas.
- Claro! “Oi migah! Tudo bem?”, agora aproxime-se, por favor! – Pede ela me estendendo a mão direta. 

Dou 2 passos para frente e fico cara a cara com a  tal que venho stalkeando a semanas. Penso rapidamente “Será que ela fez a mesma coisa comigo?... Ela fez a mesma coisa comigo... então já sabe que também assisti a MOONLIGHT na última terça-feira dia 21 de fevereiro. Só não pode achar que foi por influência dela, aí já é se achar demais! Ok, foco Camila.” 

- Cacau, essa é a minha namorada, Mallu. Mallu, essa é a grande amiga que lhe falei, Cacau.
- Oi Mallu, prazer. – Digo, lhe dando aqueles 2 tradicionais beijinhos na bochecha.
- Oi Cacau, muito prazer. – E ela corresponde aos 2 beijinhos. 

Mallu me parece ser uma pessoa tão legal na vida real quanto é nas redes sociais. É alta, tem a pele branca/cor-de-saco-de-pão, cabelos longos cacheados na cor Castanho Médio Creme GLOSS da Imédia Excellence de L´Oreal Paris (eu sou designer e me atento as detalhes) e olhos com a mesma tonalidade. Está usando uma blusa branca com uma estampa de unicórnio e uma frase que diz “Crie unicórnios e não expectativas” (AMEI! Onde será que comprou?) + saia jeans + bota de cano baixo e salto médio (Xiii, até o meio do show o pé vai estar doendo). Curti o estilo, não vou negar.

- Obrigada por me receber aqui na sua casa. – Diz ela.
- Que isso, eu é que agradeço pela sua visita. Podem se sentar – Falo apontando para o bom e velho sofá azul florido. – Querem beber alguma coisa? Tem vinho e Catuaba de Açaí.
- Aí eu adoro Catuaba de Açaí! – Responde Mallu enquanto senta em meu sofá.
- Jura! Eu também! – Respondo num tom animado. 

OK, 1 ponto para Mallu. 

- Aaaah eu quero Catuaba também! – Responde Fabricia sentando ao lado de Mallu e segurando em sua mão. Ela parece feliz por ver que estamos nos dando bem.
- Eu não preciso nem dizer o que quero beber... – Responde Johnny puxando meu Puff de Sorvete e sentando em cima dele. Ele adora esse Puff.
- Vinho Tinto! – Digo lhe dando uma piscada.
- Dom Bosco is my best friend. - debocha ele.

E assim que Johnny se “encaixa” no Puff eis que Cake acorda e vai em sua direção.

- Oi Cake. – Diz ele a pegando no colo.
- Aí Meu Deus, que coisa fofa! – Responde Mallu encantada com minha pet.
- É a Cake, amor, a yorkshire que te falei – Explica Fabricia.
- Que linda! Posso pegá-la no colo? – Pergunta ela a mim.
- Claro! – Respondo enquanto abro a geladeira e pego as bebidas.
- Gente, ela é uma coisinha! Qual o nome mesmo? Cake?
- Uhum, por causa de ‘A Hora da Aventura’, Cake é... – Ia explicando quando Mallu me interrompe.
- ... a versão feminina do Jake!
- Isso! – Reajo com surpresa.
- Eu sei, eu adoro a Cake, é uma das minhas personagens favoritas mesmo não aparecendo muito.
- Minha também!

OK, 2 pontos para Mallu. 

- Fui eu quem apresentei esse desenho a Cacau, amor! – Diz Fabricia ainda mais empolgada.
- HaHa, você, como sempre, influenciando as pessoas a assistirem desenho animado. – Responde Mallu a Fabricia, lhe dando um beijo nos lábios e depois voltando sua atenção a Cake - O nome super orna com ela que parece mesmo um bolinho.
- Num é! Também achei que casou. – Respondo enquanto lhe entrego a garrafa pequena de Catuaba.
- Podíamos pedir alguma coisa pra comer também antes de irmos para o show, será que dá tempo? – Sugere Johnny.
- Acho meio ariscado, por que não paramos na padaria aqui da esquina e fazemos um lanche? – Digo.
- Mas tá aberta a essa hora? – Pergunta Fabricia.
- Tá sim, fecha às 22h. A não ser que queiram, sei lá, algo diferente. Tem o Koni aqui em frente, cês topam ir?
- Uuuh, adorei a ideia. Faz tempo que não como aquele temaki ebi poke. – Diz Mallu. 

OK, sáporra tá ficando séria! 

- CARALHOW MALLU! – Grito – Mentira que você gosta de ebi poke?
- É O MEU FAVORITO! – Responde ela levando a mão no coração.
- MEU TAMBÉM!  

E a gente se dá as mãos e começamos a rir enquanto Fabricia não se aguenta em felicidade!

- Eu não disse que vocês iam se dar bem! Eu sabia! É muito o destino isso! – Diz ela com os olhinhos brilhando. 

É, de fato eu estou gostando mais de Mallu do que achei que fosse gostar. Que dizer, me preparei para recebe-la de bom agrado na minha casa mas não na minha vida e nem como uma nova amiga! Olha aí a questão do “aceitar as proposta feitas pelos amiguinhos, mesmo que eu ache tudo duvidoso, mas vai que eu sou surpreendida?”, então, acabei de ser surpreendida! De novo!

- Mas diz aí, como foi que vocês duas se conheceram? –Pergunto sentando na cadeira - Porque, até ontem, com o perdão da indelicadeza, a Fabricia estava saindo com uma tal de Thalita e agora está em um relacionamento sério com você, Mallu!

- Sim, essa eu também quero saber! – Diz Johnny dando um gole na sua caneca de vinho. 

As duas se entreolham e Mallu lança um olhar à Fabricia como quem diz “explica você” e é exatamente o que ela faz:
- Então... foi pelo Tinder.
- TINDER! – Digo elevando o tom de voz.
- É, Tinder. Foi assim: depois que voltei da viagem de férias eu reencontrei a Thalita mas ela estava um pé no saco, muito grudenta e a vibe entre nós não estava boa. Certa noite, numa crise de ciúmes, ela queria que eu mostrasse o celular pois ela tinha a certeza mais do que absoluta de que eu estava usando o Tinder enquanto saia com ela. Mas eu não estava, o tinha instalado no celular mas não estava!
- Não no Brasil, né... – Sussuro enquanto dou um gole na minha Catuaba.
- Oi? O quê?! – Pergunta Mallu.
- Iiiih lá vem... – Diz Johnny engolindo o riso.
- Eu disse “Não no Brasil, né”, porque lá em Montevidéu e depois em Buenos Aires uma certa pessoa não parava de dar match nas hermanas... confessa aí, Fabricia! - entreguei a cabeça da mana.
- EEEEEEEEEH Fabricia, então você passou o rodo nas chicas, foi?! – Debocha Johnny.
- Tá caralho! Admito, usei o Tinder nas férias – Confessa Fabricia – E até saí com algumas meninas mas em minha defesa, nós ainda não estávamos juntas, amor – fala ela olhando para Mallu – e meu lance com a Thalita nem era sério. Ela que queria mas eu segurei a onda pois não tinha certeza de nada.
- Sei... – e Mallu faz uma cara de desconfiada mas deixa quieta.
- Continuando, quando voltei de férias a Thalita cismou de ver meu celular para saber se eu ainda estava usando o Tinder e eu tinha esquecido completamente de desistalar essa porra! Aí já viu, ela brigou feio comigo. SÓ QUE, não bastou ela ver o Tinder instalado, ela clicou nele e começou a fuçar todo o histórico de conversas e numa dessas havia uma da Mallu, de quase 1 ano atrás. Ela achou que fosse de agora, no calor da discussão não viu a data, que era de 2016, e queria porque queria saber quem era Mallu Diaz?! E eu disse “Sei lá quem é essa?!”, mas ela insistiu, dizia “Tem conversa de você e dessa vagabunda aqui!”, e quando tomei meu celular de volta foi aí que vi esse macth perdido e que ela tinha me dado oi e perguntando de onde eu era e que tinha me achado linda mas eu nunca a respondi. Sério, eu não tinha visto essa conversa da Mallu até aquele exato momento e quando vi... me apaixonei.
- OOOOOOOOH!! – Invejamos eu e Johnny.
- Daí eu esperei a Thalita ir embora e respondi a Mallu, perguntando se ela ainda estava solteira e se ainda havia alguma chance da gente sair pra se conhecer e ela disse que sim.
- OOOOOOOOH!! – Invejamos eu e Johnny de novo.
- Daí a gente saiu e...
- ... e nos demos super bem J - interrompe Mallu.
- OOOOOOOOH!! – Invejamos eu e Johnny mais uma vez.
- Daí vocês já podem concluir o resto da história – Explica Fabricia – Terminei com a Thalita e 1 semana depois pedi a Mallu em namoro.
- OOOOOOOOH!! – Invejamos mas dessa vez só de zoeira.
- PAREM COM ISSO VOCÊS DOIS! – Grita ela.
- Quem diria, Fabricia conseguiu uma namorada através do aplicativo que usava pra pegação! – Debocho
- É, foi muito doido mas tinha de ser assim, né amor?
- É. 

E as duas se beijam novamente. Olho para o relógio e já são 21h.
- Gente, melhor irmos, nem ingressos compramos ainda, quanto mais cedo chegarmos, melhor. – Digo. 

E assim me despeço de Cake, a coloco na sua caminha, apago todas as luzes, deixo só a da cozinha acessa pra ela, tranco o apartamento e desço com meus amigos até a portaria. Johnny pede um Uber do seu celular e menos de 30 minutos já estamos na Gamboa.


Galpão Gamboa
9h36 pm 
PLANO PANORÂMICO DA  ENTRADA DO GALPÃO
- Pô, legal aqui, nunca tinha vindo antes – Digo abasbaquada.
- Nem eu. – Responde Mallu.
- OK Mallu, essas coincidências entre nós estão começando a me assustar!
- A mim também, Cacau...
- ...
- ... 
E caímos na gargalhada! 
Passado esse momento de descontração, fomos até a bilheteria e compramos os ingressos para o show. Acabamos chegando bem mais cedo do que o previsto então o jeito é sentar e esperar até eles liberarem nossa entrada. O mais bizarro é que às 9:40 o local estava praticamente vazio. 
- Puxa que vacilo vai ser se isso não encher. Jaloo não merece um show flopado desse jeito. – Analisa Johnny. 
MAS... 
10:10 pm e já tinha uma fila de gente “pra sacar o FGTS”! Mas de onde surgiu esse povo que agorinha a pouco nem tava aqui? Eu hein... ?_? 
10:45 pm e enfim a entrada para o galpão é liberada. Somos os primeiros a entrar e com isso pegamos um lugar significativo na grade do palco, ou melhor, na beira do palco, NÃO TINHA GRADE NENHUMA!
- Gente, acho que nunca fiquei tão perto assim de um artista. Olhem isso, dá até pra sentar no palco! Mas não vou fazer isso para o segurança não vir brigar comigo... MENTIRA, VOU SIM! – Digo, já sentando o bundão. 
E, pasmem, nenhum segurança implicou! Na verdade outras 3 garotas fizeram o mesmo então tava tudo de boa! Mas que lugar mais acessível esse, não é mesmo?!


Enquanto o show não começa, Fabricia e Mallu se abraçam e ficam naquele climinha de romance enquanto Johnny e eu conversamos.

- Aí, será que o romance dessas duas vai vingar? – Pergunta Johnny ao pé do meu ouvido
- Num sei... espero que sim, ela me parece ser uma pessoa bem legal mas até pouco tempo atrás a Fabricia estava impossível. Ela te contou quantas pegou nessa viagem?
- Não, quantas?
- 6! 2 em Montevidéu e 4 em BA. Sendo que, das 4 de BA, 2 não foram pelo aplicativo, foram quando saímos a noite. E com uma dessas ela trocou contato e estavam conversando pelo Messenger até pouco tempo. Agora já não sei de mais nada! E você, a quantas anda com a Gisa?
- Na mesma. A gente se ama mas somos incapazes de ficarmos juntos, brigamos mais do que nos entendemos. Mas quando ela quer sexo me liga e vice e versa. E acredite, ficar assim, nesse sexo casual e sem compromisso tá melhor do que quando namorávamos.
- Então tá ótimo. - afirmo.
- E você, como está?
- Eu? Tô de boas.
- Mesmo?
- Johnny... já viu a minha vida amoroso ser mesmo de boas? Não né, mas digo isso pra convencer a mim mesma de que tudo está bem quando na verdade tá é uma bosta!
- Tem falado com o Pedro?
- Muito pouco. Se antes, com ele aqui, as coisas eram fracas e quase que inexistentes, pelo menos no quesito relacionamento amoroso, imagina agora estando em Pindamonhagaba do Sul.
-  Juiz de Fora.
- DÁ NO MESMO! – Berro chamando a atenção de 5 pessoas que estavam atrás do nosso grupinho – Dá no mesmo – Agora digo maneirando meu timbre de voz - meu erro foi não ter sido mais direta quando tive a chance. Deixei as coisas acontecerem num ritmo devagar e deu no que deu, perdi o bofe.
- Você não perdeu o bofe, só o deixou ir por tempo indeterminado.
- Sei... e você acredita mesmo nisso? - ele transforma a sua pergunta em minha pergunta.
- Bom... preciso?
- ... Na verdade quem precisa acreditar que essa história vai ter um final feliz sou eu mas, sei lá Johnny, eu não acredito mais em finais felizes, não pra mim. Não depois de tudo o que me aconteceu antes do Pedro aparecer. 

11h03 pm e as luzes do local se apagam dando início ao show. 

Saio de cima do palco e me posiciono ao lado de Johnny. Atrás de mim estão Fabricia e Mallu e toda a multidão começa a gritar freneticamente pelo nome do cantor. E não demora muito para Jaloo subir ao palco, todo de branco, cantando a primeira canção da noite – VEM (https://open.spotify.com/track/1jNAO1H4DVdlQGgByNawS3). É muito legal, ele é super simpático, carismático, todo “ático”, pena que não sei a letra de 95% de suas músicas! E o cara ainda para bem na minha frente e quase que coloca o microfone na minha boca, pedindo pra cantar! NÃO, EU NÃO! PASSA PARA O JOHNNY! AÍ DEUS! Essas coisas nunca acontecem quando estou na grade num show dos Backstreet Boys! 

Daí começa a segunda música da noite – A Cidade (https://open.spotify.com/track/2PwxFrZfLgEHDG48gem77H), aaah essa eu conheço, não sei cantar mas conheço! A ouvi no Spotify antes de sair de casa. Legal é que a galera toda da “grade” canta junto com ele, bom a “galera toda” menos eu, o que não me impede de curtir a vibe, né? O show tá mesmo legal e eu tô mesmo curtindo! 

Daí vem a terceira música da noite – ‘Ah!Dor!’ Aaah essa eu sei o refrão, dor de corno é comigo mesmo e cola no meu cérebro feito chiclete.


Ah! Dor! Ah! Dor!

Não me deixe, eu lhe imploro

Fica, me envolve, me conforta, fixa

Ah! Dor! Ah! Dor!

Você foi só o que restou em mim

O que me faz ser vivo sem você aqui


E o clipe dessa música é muito psicocrazy!


PENSO - Eu quero beber o mesmo que esse sujeito bebe!

Daí vem ‘Chuva’, e de ‘Chuva’ vem ‘Last Dance’, e de ‘Last Dance’ vem aquele papo fofo com a plateia (eu admito, o sujeito é mesmo gente boa!), e do papo com a plateia vem ‘Tanto Faz’, e de ‘Tanto Faz’ vem ‘Pa Paraná’, e de ‘Pa Paraná’ vem ‘Fluxo’ e de ‘Fluxo’ vem... ela... Aaaah sim, ela, a que praticamente me trouxe até aqui hoje:
- Essa aqui todos vocês sabem a letra – Diz Jaloo. E assim ele começa a cantar seu hit de maior sucesso, ‘Insight’. E a plateia, claro, vai a loucura e canta em coro! Inclusive Johnny, Fabricia e Mallu! Johnny então, não se cabe de alegria! Não sabia que ele curtia (tanto) assim essa canção. 

Meu coração gela na hora. Minhas pernas ficam bambas e eu paro de dançar quase que no mesmo momento. É inevitável. Um filme começa a passar na minha cabeça enquanto ‘Insight’ é cantada mas ao invés de ser a voz de Jaloo a que escuto é da Luiza Possi, afinal, como falei, eu me apaixonei por essa canção cantada por ela.

Vejam só, aqui está ele cantando:


E aqui está ela cantando:


OK que o clipe também me ajudou a me apaixonar ainda mais por essa versão porque nada mais sexy e envolvente do que uma mulher hetero usando terno e gravata e cercada de Drag Queens Divonicas! Praticamente sou eu, eu sou das gays, BRASEO! >>


E enquanto tá todo mundo ali no show do Jaloo, eu já estou a 2 anos atrás...

FLASHBACK
Estou na Casa da Matriz, na companhia de Letícia (minha ex-colega de apê), do Rafael namorado da Letícia, da Mariana, do namorado da Mariana, da Cris e do namorado da Cris. Enfim, de toda a patota do Rio Comprido. Aquela festa tava irada, na época em que a Casa da Matriz era mais (somente) Indie-rock e menos pop-funk-sertanejo-universitário. Eu me acabava naquela pista e não estava nem aí se estava suada, descabelada, gastando a minha chapinha ou pagando mico, eu estava feliz. Além do mais o motivo por eu estar ali não era pra caçar homem mesmo, era para me desestressar da semana de cão que tive por conta do trabalho. Eu só queria saber de beber, dançar e zoar!

- Cacau, eu preciso de uma água, bora no bar comigo? – Grita Letícia.
- Bora!

E lá fomos nós 3 no bar, eu, ela e Rafael. A fila, como sempre, é uma bagunça! Ninguém sabe onde começa e como termina, só se sabe que é preciso empurrar para conseguir ser atendido. - Que inferno isso! E não tem ninguém pra botar ordem nesse galinheiro – Reclamo pra mim mesma em voz alta. Letícia parece não se importar com nada.

É então que alguém grita o nome de Rafael:
- RAFA! Ô RAFA! AQUI!

Rafael olha para o lado e encontra um rosto familiar. - C.! PORRA CARA, VOCÊ POR AQUI! – E Rafael vai em direção ao amigo, deixando a mim e Letícia sozinhas no meio daquela confusão. Até aí tudo bem, eu só queria saber de comprar a minha água mesmo. E quando já estava quase conseguindo ser atendida, eis que ouço a voz de Rafael me chamando.
- CACAU! AQUI! SAI DA FILA! CONSEGUI ÁGUA!

- HÃ? – E quando olho para o lado lá está Letícia, Rafael e o amigo de Rafael, num canto estratégico, bebendo Heineken e água a rodo. MÁ OI? Como e quando foram que conseguiram pegar aquele monte de bebida que nem vi? Que bruxaria é essa?!!! 

Saio do meio daquela muvuca e vou em direção a eles.

- Aqui, pega. – Fala Letícia me oferecendo água.
- Obrigada, tava seca de sede. Como conseguiram enfrentar esse povo todo e compraram tantas bebidas fácil assim? – Pergunto.
- Foi o C., ele tá como VIP na festa. Hoje é aniversário dele e daí tem direito a certos privilegiados. – Explica Rafael que, de quebra, já nos apresenta.
- Aaaah tá, legal... Prazer, Camila. – Digo, cumprimentando o sujeito.
- Prazer, meu nome é (PIIII – SOM DE CENSURA).

Me viro pra câmera e explico: Sim, meus caros, eu me recuso a falar, escrever e até mesmo citar o nome deste mentecapto e já já vocês vão saber o porque. Por enquanto vamos chama-lo só de C., tá bem? Então tá bem. 

Voltando:
- Parabéns pelo seu aniversário, C.
- Valeu Camila.
- Aaah pode me chamar de Cacau. Todo mundo me chama assim.
- Aaah legal.
- Legal...
- ...
- ...

É, como podem ver a primeira vista nossa conversa não teve nada demais. Daí me voltei para Letícia e Rafael que comentavam como aquele lugar estava insuportável de cheio naquele dia. Mesmo assim estava divertido. E eis que começa a tocar a música de uma banda que faz os indies e hipsters (inclusive essa que vos fala) SURTAREM– ‘What You Know’ do Two Door Cinema Club.



Geral grita e volta pra pista principal. Incluindo nós 4.
- VAMOS?! – Grita Letícia
- VAMOS! – Grito de volta

E lá vamos nós dançar mais um pouco. E como falei eu estava ali para me divertir, e era o que eu estava fazendo, curtindo aquela festa como se não houvesse amanhã. Curti tanto que nem me atentei ao fato de que, de repente, estava sozinha na pista com o tal de C., Letícia e Rafael foram para um canto qualquer para darem uns amaços e as meninas também haviam sumido no meio da noite. – olho para a câmera – Acham que eu ligo? Nada! Bora dançar! 

Chamo o C. pra mais perto e continuamos curtindo as músicas.

- ESSE DJ É MUITO BOM, SEMPRE ACERTA! – BERRO AFIM DE QUE ELE ME ESCUTE
- CONCORDO! CONHEÇO ELE, É O DÍ, GENTE BOA PRA CARALHO. MANDA BEM, NÃO É?
- MANDA SIM J - E lhe abro um sorriso simpático. E, de repente, ele para... e sorri de volta. 

Lembram do primeiro episódio? Quando falei do Seu Carlos, o porteiro do meu condomínio, o que acho que acha que dou mole pra ele só porque eu sou simpática demais? Então, aí está mais uma prova de que minha simpatia e sorriso cativante podem despertar pensamentos obscenos no sexo masculino. Eu apenas sorri de um jeito despretensioso para C. e uma faísca começou a ascender lá no fundo dos seus olhos... OI?! COMO ASSIM? 

Ele se aproxima de mim e fala ao pé do meu ouvido:
- QUER PEDIR ALGUMA MÚSICA? EU FALO COM ELE.
- UMA MÚSICA? HAM... – penso por alguns segundos - ...LA ROUX.
- LA ROUX? TÁ, DEIXA COMIGO.

E C. sai e vai em direção ao DJ. Fico só olhando ele de longe conversar com aquele sujeito, e papo aqui, papo ali e eis que termina uma música e, em seguida, começa a tocar ‘Bulletproof’ do La Roux!



OK que pedir uma música a um DJ não é algo assim impossível, a questão toda aqui é que... ele pediu uma das minhas músicas favoritas do La Roux! Quando C. se aproxima novamente não resisto e digo:
- ESTOU IMPRESSIONADA! FOI DIRETO NA MINHA MÚSICA FAVORITA.
- SÉRIO? É A MINHA FAVORITA DELES TAMBÉM. – E daí a faísca que estava lá no fundo dos seus olhos começa a aumentar. Aaaah não, só pode ser piada.

Desvio o olhar e continuo a dançar e ele idem. E foi assim a noite toda, entra música e sai música e a gente ali dançando sem parar. 

De repente, não me perguntem como mas já eram 5h33 da manhã! Daqui a meia-hora a Casa da Matriz ia fechar e só haviam uns 10 gatos pingados ainda ali dentro. Dentre eles eu, o tal de C. e minhas amigas e seus respectivos namorados que já estavam mais bêbados que Amy Winehouse com dor de cotovelo. Que cena lastimável. Começamos a rir daquilo. 

- É por essas e outras que manero na bebida senão não curto a noite. – Digo a C.

- Eu já não tenho esse problema, bebo que não caio – Aaah isso é verdade pois da hora que nos conhecemos até aquele momento ele já tinha entornado umas 10 long neck de Heinecken. DEUS, O HOMEM É UMA ESPONJA!

5h48 am E só tem nós dois na pista e o DJ já está de saco cheio! E o que faz para espantar aquelas moscas que ainda insistem em voar na pista? Toca a saideira, claro! E a escolhida foi uma do MUSE – Uprising. Mas as coisas não saem como ele imagine e a gente se empolga de novo!



- CARALHO! ESSA MÚSICA É... – Digo animadíssima
- É FODA! – Responde ele
- SIM, FODA!
- FODA!

E C. me puxa de novo pra pista e começamos a rodopiar! Daí me solta, se joga no chão e começa a fazer air guitar, eu dou estrelinha, faço passos de ginastica, aquilo se torna a dança mais maluca que vocês podem imaginar e a gente tava pouco se fodendo para o que os outros estavam pensando!



- ... é... ô Letícia... essa sua amiga de apartamento... ela usa drogas? – Pergunta Rafael a sua namorada.

- Bom, ela come muito biscoito Trakinas e, segundo ela, Trakinas tem maconha. Isso conta? – Pergunta Letícia num tom sério.

- EU OUVI ISSO, HEIN, PORRA! – eu GRITO já com a adrenalina a mil.
- JÁ CHEGA! FIM DE FESTA! – BERRA o DJ desligando todo o som.
- AAAAH NÃO! PARA AGORA NÃO! HOJE É MEU ANIVERSÁRIO E EU SOU VIP! – Grita C.
- É, VIP! TOCA RAUL! – Grito em apoio
- Senhores, lamento mas vocês terão de se retirar da pista imediatamente. – Avisa um dos seguranças.
- NÃO, EU QUERO DANÇAR MAIS! EU E MINHA GAROTA QUEREMOS DANÇAR MAIS! – Exige ele jogando uma garrafa de Heineken vazia na direção da parede. (SAPORRÁ TÁ LOUCO!)

O problema é que um dos cacos da garrafa atinge o rosto do DJ, quase que corta o seu olho! E quando este dá um grito (mais de susto do que de dor), eu só sinto o C. me puxando pelo braço e nós saímos feitos foragidos pelas ruas de Botafogo. PARECIAMOS O FOREST GUMP E USAIN BOLT CORRENDO SEM OLHAR PRA TRÁS!





QUE LOUCURA FOI AQUELA?!

- Você é maluco! – Digo, ainda correndo ao lado dele.
- É o que?! – Pergunta sem parar de correr
- EU DISSE QUE VOCÊ É MALUCO, CARA!
- VOCÊ TAMBÉM É!


E quando já estávamos chegando quase que no final (ou início, depende de qual dos 2 sentidos você está vindo) da Voluntários da Pátria, paramos de correr. Eu tô mais do que ofegante! Coloco as mãos sob os joelhos a fim de recuperar a minha respiração e ele idem. 

De repente os dois começam a rir de um jeito descontrolado... não é possível, batizaram a minha bebida porque eu tô mais fora da casinha do que o de costume! Agora sabem qual é o mais bizarro disso tudo?... Eu estava me sentindo ótima! Como não me sentia a tempos! Da última vez que dei uma risada descontrolada feito essa a minha mãe ainda era viva...  

Paro, recupero a minha respiração e enfim olho para C. com calma. E, pela primeira vez naquela noite, eu reparo bem nele. O danado é bonito! Tem a pele bem clara, vulgo alva, mas bronzeada pelo sol de 40 graus que faz no Rio. Os cabelos na altura das orelhas, num tom castanho quase que avelã (a designer detalhista), os olhos num tom de mel, um sorriso meio torto que não mostra os dentes, uma barba por favor, um bigode que ameaça crescer, no bolso um iPhone, um look todo preto (blusa preta, calça preta, all star preto), e no antebraço esquerdo (sua direita) uma tatuagem... DO YELLOW SUBMARINE DOS BEATLES! MEO DEOS, UM HIPSTER!... Me apaixonei naquele EXATO momento. Fazer o que? A 2 anos atrás eu era LOCA por um hipster. 

- Beatles! – É a primeira coisa que consigo dizer depois que recupero 100% o fôlego.
- Você gosta? – Pergunta assustado.
- E quem não gosta? – Respondo num tom irônico.
- Paul, John, George ou Ringo?
- John.
- Música favorita deles?
- Tenho 3, ‘Can´t Buy Me Love’, ‘Love Me Do’ e ‘I Want To Hold Your Hand’.
- Filme favorito?
- Filme?... SHAME. Ninguém conhece, é do Steve McQueen, com o Michael Fassbender, que faz o Magneto jovem no filme ‘X-MEN: Primeira Classe’ – Pra quê que eu tô dando tanta explicação?!



- Comida? – Pergunta ele.
- Nuggets.
- Doce ou salgado?
- Chocolate.
- Um lugar?
- Buenos Aires.
- Um livro?
- A Saga Becky Bloom, sou shoppaholic.
- Cacau por Cacau?
- Atípica, intensa, coração... louca... boa... amiga... – e paro e fico pensando nas minhas qualidades igual uma retardada no meio da rua, até que volto para o meu corpo - ... Espera aí, tá errado isso! TÁ TUDO ERRADO! Quem geralmente faz uma série de perguntas aos outros sou eu! Eu que sou a chata da história! Eu que, quando conheço alguém e fico deslumbrada faço esse interrogatório aí! Você não pode reveter o jogo, não pode roubar minha identidade! Quem tem de fazer isso o que você está fazendo sou eu!

E C. fica me olhando intrigado por alguns segundos. Põe as mãos na cintura, dá outro sorriso torto sem exibir os dentes e, de repente, me puxa pra perto de si e me beija! Eu levo um susto! Como assim? MAS... COMO ASSIM?! Mas logo o susto dá espaço a uma explosão de carinho e, quando dou por mim, já sou eu a beijá-lo e não o contrário! Gente, que macumba foi essa que ele fez pra mim e que já surtiu efeito tão rápido?

E eis que o sol nasce e a cidade fica toda clara e viva ao nosso redor, os carros já começam a circular normalmente e um novo dia se inicia, sendo que eu nem dormi, passei a noite em claro, então pra mim o hoje ainda é ontem. C. vira pra mim e pergunta:
- Quer ir para um lugar mais reservado onde poderemos continuar esse interrogatório e, quem sabe, dar continuidade a nossa dança que foi brutalmente interrompida ou, quem sabe, nos conhecer melhor?
- E que lugar seria esse?
- Deixa comigo que eu descolo um lugar reservado para ficarmos ;)
- Na sua casa?
- Quase isso, fica ali perto.
- E onde você mora?
- Tijuca.
- Aaah perfeito, eu moro ali no Rio Comprido, é perto da minha casa.

C. sorri como quem diz “É hoje, então!”, ele chama um táxi para nós e vamos rumo ao lugar onde todos, tipo, todos os moradores da Tijuca e redondezas vão quando querem um lepo-lepo gostoso e sem compromisso. Se você é ou já foi morador desses lados então sabe a qual lugar eu me refiro: Ao Palácio do Rei, claro! Aí SEM OR! Minha cara foi ao chão de tanta vergonha, vai que algum conhecido passa na hora e me vê entrando nesse lugar em plena luz do dia... e a pé ainda por cima (sim, porque o taxista não quis entrar na garagem, nos deixou a meio metro da porta! SAFADO!). Os sacrifícios que a gente faz por uma transa... pelo menos C. nos pagou uma Suíte Príncipe, bacaninha, tem hidro, tv à cabo e bombom!

A questão toda é... eu nunca tinha feito aquilo antes, sexo casual. C. era um completo desconhecido, OK que era um desconhecido que beijava bem, e dançava enquanto fazia air guitar, e tinha uma tatuagem dos Beatles, e era amigo do Rafael namorado da Letícia minha colega de apê então coisa boa deveria sair dali... MESMO ASSIM AINDA ERA UM SEXO CASUAL! IA DAR RUINHA! Melhor sair dali enquanto dava tempo. Tava bem perto de casa, podia dar um perdido, sair correndo e em menos de 15 minutos já estaria na segurança de meu lar e no conforto de minha cama. Sim, era isso o que eu ia fazer, dar meia volta e... OOOOOW! O CARA JÁ ESTÁ PELADÃO NA MINHA FRENTE! E COM UMA MÃO NA CINTURA E OUTRA NA PAREDE E COM AS PERNAS MEIO CRUZADAS AINDA POR CIMA, MEREÇO!

- Que foi? Tá tudo bem? – Pergunta ele.
- TÁ, TÁ TUDO ÓTIMO! TÁ TUDO... GRANDE... FIRME! RÍGIDO!
- HAHAHAHAHA – E ele ri alto, adoro isso, os caras me acham uma palhaça – Sabe o que eu mais gostei de você, Cacau?
- ... O quê? – Pergunto intrigada e desviando meu olhar de seu... membro.
- Você é espontânea, não finge ser o que não é. É intensa, como se auto descreveu, eu gosto disso. Vive o momento, se entrega... – e ele se aproxima  – relaxa... vem aqui...


MÚSICA DA CENA:



Olha, eu não sei muito bem onde foi parar o meu plano de dar um perdido nele e sair correndo dali... ou melhor, sei sim, foi parar na cama redonda da Suíte Príncipe do Palácio do Rei! C. me pegou com força, me beijou, eu o beijei, ele tirou minha roupa, me jogou na cama e daí por diante foi um Game of Thrones do amor (sacou? “Pálacio”, “Rei”, “Thrones”, HAHAHAHA... OK, péssima piada)! E o que antes me dava medo, essa coisa de me envolver tão rápido e me jogar de cabeça, ficou definitivamente pra trás.

Terminado o sexo mais envolvente que tinha tido até aquele momento, deitada sob o peito branco-vulgo-alvo-mas-queimado-do-sol-de-40-graus-do-Rio de C. eu fui ouvindo lá longe o som de INSIGHT que começava a deixar de ser na voz de Luiza Possi e voltava a ser na de Jaloo. Olhei para o rosto dele que logo começou a sumir, o que foi me entristecendo. Pisquei os olhos várias vezes e, quando dei por mim, já estava de volta ao show.

FIM DO FLASHBACK

Xalalalalalá, lalalá
Foi só um Insight e passo
Xalalalalalá, lalalá
Como essa história de amor

 A música termina e a plateia, enlouquecida, aplaude Jaloo. Engulo o choro a seco e aplaudo também. Ele é mesmo um artista com A maiúsculo, me cativou.


Devo ter ficado MUITO fora de orbita porque Mallu, a minha mais nova amiga e que me conheceu faz poucas horas, põe a mão no meu ombro, se aproxima do meu ouvido e pergunta:

- Cacau, você tá bem? Está com uma cara tão triste, aconteceu alguma coisa? 


Finjo o meu melhor sorriso, me viro para ela e responda:

- Está! Está tudo bem, sim! É que essa música me traz recordações de alguém do passado e isso me deixa um pouco sensível mas eu estou bem. Obrigada pela preocupação J

TECLA SAP: INSIGHT é a personificação em música do Filho da Puta que partiu meu coração.
O show acabou meia hora depois. Foi um show rápido, mas que durou o tempo suficiente de me deixar completamente encantada por Jaloo. Olha, se antes eu não o curtia agora estou virando sua fã.

PLANO PANORÂMICO DO GALPÃO
E, conforme o cronograma, após o show rolou a Festa Pombo no Tucupi, com os DJs Ber Back e Jojo Rodrigues. Estava animado? Estava animado! Mas eu só queria saber de uma coisa naquele momento: a minha casa. Johnny, Fabricia e Mallu decidiram ficar um pouco mais.
- Beleza, fiquem aí, eu vou pra casa, se por ventura vocês quiserem ir prá lá depois, eu estarei esperando.
- Amiga, você tá mesmo bem? – Pergunta Fabricia colocando as mãos em meus ombros e me olhando firme.
- Eu ESTOU MESMO bem! De verdade! Por Deus, uma garota não tem o direito de ficar cansada e querer ir para o aconchego do seu lar e curtir sua cama e sua yorkshire de 2 meses e meio? – Disfarço.
- Tudo bem, se é só isso lhe deixo ir. Mas ô, te amo e você sabe disso. – E ela dá um selinho nos lábios, como fazemos sempre (é, eu beijo quem eu amo, independente do sexo, mas precisa ser maior de 18 anos!).
- Eu também te amo, sua safada. Agora vai lá ferver e curtir tua mina. Ela é o máximo. Gostei mesmo dela e fico feliz por você ter encontrado alguém assim, com essa vibe boa.
- Eu também fico feliz por tê-la encontrado... sabe Cacau, pode não parecer mas essa garota é diferente e mexeu mesmo comigo.
- J
Me despeço de Johnny que já está desenrolando com uma mina e por fim me despeço de Mallu que me dá um forte abraço.

- Adorei te conhecer, de verdade. Você é uma pessoa maravilhosa!
- Obrigada, você também é demais e se é amiga/amor da minha amiga então também é amiga/amor minha. 

E com isso vou em direção a saída do Galpão. Ainda dou aquela última olhada para trás e vejo todos dançando e se divertindo com seus respectivos crushs. Saio de vez, peço um Uber e vou para a minha casa. 

...É, eu sei o que vocês estão se perguntando: “Mas afinal o que aconteceu com o C.? E por que não fala o nome dele?”, querem mesmo saber? Então lá vai: depois daquela transa nós passamos a nos ver quase que todos os dias. Ele era demais, ridicularmente parecido comigo e tínhamos mais do que tudo em comum, o gosto por comida, bebidas, músicas, filmes, viajamos por lugares semelhantes, tínhamos amigos em comum, o sexo era ótimo, ele me fazia rir, me fazia se sentir amada, gostosa, desejada, já havia me apresentado a sua galera, eu já o havia apresentado a minha galera e enfim eu não era a única solteira da patota do Rio Comprido, tinha alguém! E esse alguém não era qualquer “alguém”, era O Alguém, O Cara, O Escolhido. Sim, eu tinha a certeza mais do que absoluta de que havia encontrada a minha alma gêmea, a que eu buscava a 31 anos! Mas daí, 3 meses depois, quando eu finalmente tomei coragem para pedi-lo em namoro (porque não há nada demais uma garota segura e moderna pedir um cara em namoro, tá bem?), o C. simplesmente sumiu. Primeiro eu nem me importei, vai ver há uma explicação racional pra isso, trabalho?... É, trabalho, ele andava reclamando do trabalho. Mas daí ele sumiu sumido, visualizava minhas mensagens no whatsapp mas não as respondia, sempre estava online no Messenger mas nunca dava sinal de vida. Mudou da água para o vinho, do guaraná Kuat para Dolly, e eu, claro, comecei a achar aquele comportamento muito sem-noção. E como falei no início desse episódio, você usa a ferramenta que todos usam quando querem descobrir alguma coisa da vida da pessoa – a internet. E foi através dela que meu amor por C. desmoronou tão rápido quanto nasceu naquela manhã de domingo na Rua Voluntários da Pátria. C. tinha uma outra mulher, ou melhor, EU ERA A OUTRA MULHER! Ele tinha uma namorada de longa data que estava fazendo um intercâmbio durante o tempo que saia comigo, mas ao voltar ele foi jogou nos braços dela sem nenhum ressentimento e nem sequer teve a decência de me dizer Adeus ou um “tchau otária”. Foi isso, ele apenas me ignorou e seguiu com a sua vida. OI? O QUÊ? COMO ASSIM?! Então é isso, vai me virar as contas e partir? É, é isso, vai me virar as contas e partir pois o que aconteceu entre nós não teve a menor importância pra ele e foda-se se, pra mim, isso tinha um significado maior. Gigantesco na verdade. 

Daí vocês devem estar se preguntando: “Mas você nunca desconfiou de nada?”, não, de nada. Eu estava tão feliz por estar realizando (ou achando que estava realizando) o sonho de viver um relacionamento com minha alma gêmea que procurava a anos, que me ceguei por completo e não enxerguei o óbvio. E como isso doeu. 

Senti meu coração se partir ao meio, aquele homem lindo e que me encheu de vida nada mais era que uma mentira, um blefe, um ser desprezível que só se preocupava em se divertir e sem se importar nos estragos que isso faria na vida de outras pessoas. C. não era, nem de longe, O Cara. 


Chorei por dias, meses. Me acabei numa tristeza que consumiu tudo o que havia de mais belo dentro de mim. E para piorar a situação isso aconteceu na mesma época em que tive de sair do apê do Rio Comprido. Letícia descobriu que estava grávida e ela e Rafael iam casar e precisavam de mais espaço para a vida que iam começar juntos e para a vida que fizeram juntos. Aliás o idiota da Rafael, claro, sabia que o amigo tinha namorada e nada contou. Por isso não suportava olhar para as fuças dele depois de tudo o que aconteceu. Letícia, como uma boa (submissa) namorada, mesmo vendo tudo o que eu estava passando, apoiou Rafael. Foi o fim pra mim. Sozinha, traída e agora sem teto. E ainda trabalhando numa empresa que consumia o pouco da minha vida que havia sobrado. Sem minha mãe para me dar colo, carinho e um sábio conselho. Desmontei por completo. Se não fosse a Fabricia, o Johnny e principalmente a Valentina eu sei lá o que teria acontecido. Tina me deixou ficar com ela até conseguir me reerguer, mas não foi fácil, ela me deu o colo de mãe que tanto precisava e o amor que eu necessitava mas aquilo não parecia o suficiente para me reerguer.

Nada conseguia me curar mesmo eu querendo esquecer aquele maldito Filho da Puta!


Então proibi todos os meus amigos de tocarem no nome dele! E foi daí que surgiu o singelo apelido de Filho-da-Puta-da-Tijuca, aquele que não deve ser mencionado (Harry Potter, Johnny gosta mais desse termo), e se for pra falar uma titica sequer só use a primeira letra de seu nome, C. Mas acima de tudo é Somente Filho-da-Puta-da-Tijuca e acabou!

Então após muito chorar e viver todo o luto da perda de um amor que só existiu na minha cabeça, junto com o luto pela morte de minha mãe (que parecia ter sido curada mas, na verdade, foi camuflada com doses de mentira e tequila), eu decidi que era chegada a hora de me recuperar de tudo. Não ia me proibir de chorar quando sentisse a necessidade de chorar mas também não ia viver só chorando por alguém que não valia nem o meu arroto! NÃO! EU IA DAR A VOLTA POR CIMA! E dei. Não foi fácil, mas dei. Busquei a ajuda necessária, aprendi a me amar acima de tudo e qualquer coisa e percebi que um amor bom e verdadeiro só vem mesmo quando a gente começa a ter um relacionamento sério com a pessoa mais importante das nossas vidas: NÓS! Eu sou a minha alma gêmea. Clichê de livro de auto ajuda que é vendido nos corredores das Lojas Americanas mas é verdade! Você é sua alma gêmea e não o outro, na verdade o outro não vem pra te completar, vem pra acrescentar (DEUS COMO EU AMO A TERAPIA!) 

E, que coisa, no dia em que eu percebi que estava curada de tudo o que aquele Filho-da-Puta-da-Tijuca fez comigo, quando percebi que lembrar já não me feria mais e que tudo era uma história que passou, eis que, de bobeira na web, vejo o lançamento do clipe de INSIGHT na voz de Luiza Possi e parecia que ela estava cantando pra mim, que aquela música tinha sido escrita baseada no meu momento. Enquanto muitos casais a usam com tema de seu relacionamento, eu a uso como o tema do fim do meu que nunca existiu!
Se eu tivesse uma voz
É pra você que eu iria soltar
Se tivesse uma letra
É sobre nós que ela iria falar
Do nosso engano imaturo
Que esconde aquele grande amor
Que você jurou pra mim, que não existe, que mudou 
Se eu tivesse um acorde
É pra você que ele iria tocar
Se eu tivesse um Refrão
Tudo isso ele iria arrematar
A tentativa falida, tantas delas, que pergunto pra mim também se passou
Mas quanto mais estupido eu me mostro
Mais me entupo de amor

Xalalalalalá, lalalá
Foi só um Insight passou
Xalalalalalá, lalalá
Como essa história de amor

Aquele grande amor que você jurou pra mim mas que não existe... nunca existiu. E Passou. É isso, acabou. Insight. E vida que segue. Mas que ele é um Filha da Puta, aaah isso ele é!

Eu gosto de brincar de ser blogueira e aqui eu vou compartilhar com vocês um pouco do meu trabalho como designer e cool hunter. E também vou mostrar as novidades do mundo atípico e como fazer para interagir com esse universo porque... né!

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